Considerado o primeiro cineasta negro brasileiro, José Rodrigues Cajado Filho nasceu no Rio de Janeiro em 1912 e faleceu na mesma cidade em 1966, onde desenvolveu uma carreira contínua como cenógrafo e roteirista. Seu primeiro trabalho foi no filme musical Astros em Desfile, dirigido por José Carlos Burle em 1942, no qual fez a cenografia. No filme Vidas Solidárias, de 1945, assumiu o cargo de diretor de cenografia (foi o primeiro profissional a fazer carreira como cenógrafo no cinema brasileiro). Em 1946, no filme Fantasma por Acaso, fez a estréia como roteirista. Trabalhou em mais de quarenta produções, contabilizando uma média de mais de dois filmes por ano.

Nas décadas de 40 e 50 fez cenografia e roteiro para os principais diretores da chanchada, entre eles, José Carlos Burle, Watson Macedo, Carlos Manga e Moacyr Fenelon. Na empresa deste último, a Cine Produções Fenelon, escreveu, fez cenografia e dirigiu seu primeiro filme, Estou Aí, em 1949. Também dirigiu: Todos por Um (1948) e O Falso Detetive (1950), ambos produzidos por Fenelon. Para a Atlântida dirigiu mais dois títulos: E o Espetáculo Continua (1958) e Aí Vem Alegria (1959).

Cineasta José Cajado Filho (sentado) durante filmagens de Estou Aí (1949).

 

Seus filmes estão desaparecidos, portanto é difícil sabermos se o fato de Cajado ser negro teve alguma influência sobre seu trabalho enquanto diretor. João Carlos Rodrigues (2001) escreveu sobre esta questão e fez algumas conjecturas. Sugere que a análise dos roteiros escritos pode oferecer pistas que revelem (ou não) “algum orgulho ou complexo” associados à cor. Escreve:

O Petróleo É Nosso e O Homem do Sputnik tratam de um casal provinciano que possui algo de muito valor (poços de petróleo / satélite artificial soviético) sendo alvo das armadilhas dos espertalhões que tentam enganá-los. Nos dois filmes o casal protagonista (Violeta Ferraz e Pituca / Zezé Macedo e Oscarito) é interpretado por atores brancos, mas a paródia (ou metáfora) da ascensão social é um assunto muito pertinente aos negros de maneira geral. Imaginemos no seu lugar um casal de crioulos (Grande Otelo e Vera Regina) e veremos como atrás das deliciosas comédias inconsequentes, talvez problemas graves estivessem sendo questionados nas entrelinhas” (DE, Jefferson, p. 56).

O ressentimento pode ser considerado uma chave interessante para pensarmos a questão racial nos seus filmes. Aliás, ela ajuda a explicar a obra de muitos outros artistas negros e mulatos nas mais diversas áreas. Os seus filmes, bem como aqueles em que trabalhou como cenógrafo ou roteirista, seguem as convenções de um gênero que ele ajudou a fundar: a sorte como fator de distinção dos personagens, a representação do mundo do espetáculo por meio da paródia, a carnavalização a partir do jogo de máscaras e disfarces, a esculhambação da alta cultura, a introdução de números musicais, a oposição entre o campo e a cidade, a malandragem, etc. Segundo Carvalho, não é exagero afirmar que Cajado foi um dos inventores da chanchada. “O seu ressentimento é a consciência dessa importância” (p. 57).

 

Fonte: site Negro, Mídia e Educação, publicado em ago/2013, mas encontra-se indisponível.
www.negromidiaeducacao.xpg.com.br

A filmografia completa pode ser vista nos sites:
Adoro Cinema: www.adorocinema.com/personalidades/personalidade-573663/filmografia

IMDb: www.imdb.com/name/nm0129122

 

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