Entrevista publicada na Revista Muito com o ilustrador baiano Claudio Marcelo Reis, que há dez anos vive em Los Angeles, onde produz cartazes para diversos estúdios hollywoodianos (Disney-Pixar principalmente). Ele fala sobre cinema, animação e questões sobre arte e indústria criativa. Veja mais adiante links para outras reportagens sobre Claudio Reis.

Revista Muito (encarte dominical do jornal A Tarde) – edição nº 305 de 23 fev 2014.
Reportagem de Eron Rezende, com fotos de Fernando Vivas.
Veja a reportagem na íntegra (formato PDF – 3,5 Mb) neste link.

 

Baiano em Hollywood

Eron Rezende

Hollywood fica logo ali para o ilustrador baiano Claudio Marcelo Reis, 40, há dez anos trabalhando na maior indústria de cinema do mundo, onde desenha pôsteres para diversos estúdios, principalmente a Disney-Pixar. Nascido em Feira de Santana, Reis formou-se na primeira turma do curso de desenho industrial da Universidade Federal da Bahia e, em 2005, durante uma viagem turística aos Estados Unidos, seguiu a dica de um amigo e arriscou uma entrevista numa agência de marketing voltada para o cinema: pouco depois, ele estaria de mudança para Los Angeles e vendendo seu primeiro pôster à Warner, para a animação Lucas, um intruso no formigueiro. Em seguida, vieram Alvin e os esquilos (que lhe rendeu um Key Art Award, o Oscar das campanhas de filme), Encantada, Ratatouille e Wall-E. Há três anos, Reis assumiu a direção de arte da The Refinery Creative, agência voltada para campanhas internacionais – seu trabalho é perceber quais são os aspectos de um filme que serão mais atraentes para o consumidor em determinado país. “Nos EUA, o que interessa é se o filme vai funcionar, se o personagem tem empatia com o público, se as pessoas vão sair satisfeitas do cinema”, diz. “Pode parecer pura matemática, mas é uma lição de como combinar cultura e negócio”.

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Em sua palestra, em Salvador, o senhor falou sobre os traços realistas que caracterizam as animações atuais. Não há mais espaço para desenhos que se distanciem de uma simulação realista?

Eu espero que sempre haja espaço, já que a riqueza da computação gráfica é conseguir obter qualquer coisa. A computação gráfica tem que dar liberdade aos criadores para que eles façam o que quiserem. É preciso sustentar o plano da magia. Mas, de fato, a simulação realista é uma tendência. Todo aspecto sensorial – cabelo, textura, pelos – é trabalhado dessa forma. Vejo isso como uma resposta a uma demanda do público. Às vezes, eu mesmo tento desenvolver campanhas gráficas para filmes, com cartazes que se aproximam do cartoon ou de trabalhos de Drew Struzan, responsável pelos pôsteres ilustrados de filmes como Indiana Jones e Star Wars, mas, no desenrolar do processo, tudo ganha uma feição mais fotográfica. Os estúdios querem atingir o maior número de pessoas de maneira mais rápida, e essa é uma forma.

Carlos Saldanha,  com quem acaba de trabalhar em Rio 2 (que estreia, no Brasil, em 28 de março), disse recentemente que a animação brasileira ainda é pouco conhecida lá fora. Por que o Brasil exporta animadores, mas não a produção?

Nós não temos escola de animação. Temos cursos e iniciativas isoladas, mas nada realmente forte em termos de formação profissional. Os animadores brasileiros são basicamente autodidatas. Tem a ver com o brasileiro essa coisa de improvisar, essa agilidade para tirar do nada alguma coisa. Somos um berçário de bons animadores. Temos Saldanha, Fábio Lenine; Ênio Torresan, que trabalhou na Nickelodeon e na DreamWorks, que atuou no desenho Bob Esponja; Lúcia Modesto, diretora da Pacific Data Images; Nanci Cato, da Pixar. Mas o desconhecimento das animações brasileiras lá fora é, também, o desconhecimento do cinema brasileiro lá fora. Se você perguntar a um americano o que ele conhece do nosso cinema, a resposta será Cidade de Deus, um filme que tem mais de dez anos de lançado. E isso tem relação com uma certa postura brasileira que desmerece a importância do marketing e da publicidade. Tudo que é feito de cinema ou arte no Brasil ainda fica muito no universo do gênio criativo. Mas se você fizer arte e não souber vender, é óbvio que não terá quem veja. Não adianta saber criar, se não se sabe vender. O produto não se torna grande se você não sabe vendê-lo. No Brasil, você fala em marketing e as pessoas viram o rosto como se isso fosse uma ofensa ao gênio criativo. Isso é uma deficiência nacional: depositar as fichas na criação e esquecer que a cultura também é negócio. É o equivalente a, num momento em que se fala em smartphone, em internet, você pensar em máquina de escrever.

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Leia a íntegra da entrevista neste link (formato PDF, 3,5 mb).

 

 

 

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  1. Quando o talento enconyra a oportunidade,eh sucesso!

  2. A minha filha eh desenhista e admiradora do trabalho e historia de Claudio Reis,o sonho dela eh mostrar o trabalho dela pra ele. Como Claudio,minha filha Giselle Rosa,desenha desde muito pequena,hj eh ilustradora. Espero que o sonho dela se realize.

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