{"id":3962,"date":"2015-12-03T09:44:49","date_gmt":"2015-12-03T12:44:49","guid":{"rendered":"http:\/\/faustojunior.com\/blog\/?p=3962"},"modified":"2016-02-27T22:49:52","modified_gmt":"2016-02-28T01:49:52","slug":"malditos-animadores-ii","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/faustojunior.com\/blog\/malditos-animadores-ii\/","title":{"rendered":"Malditos Animadores II"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Por Fausto Junior<\/strong><br \/>\nArtigo publicado em conjunto com o <a href=\"http:\/\/cadernodecinema.com.br\/blog\/malditos-animadores-ii\/\" target=\"_blank\">Caderno de Cinema<\/a>.<\/p>\n<p>Continua\u00e7\u00e3o da resenha sobre o livro <strong><em>Maldita Anima\u00e7\u00e3o Brasileira <\/em><\/strong><em>(<\/em>editora Favela \u00c9 Isso A\u00ed), organizado por S\u00e1vio Leite a partir de uma s\u00e9rie de textos e entrevistas com animadores de diversas regi\u00f5es do Brasil. <a href=\"https:\/\/faustojunior.com\/blog\/malditos-animadores-i\" target=\"_blank\">Veja a primeira parte.<\/a><\/p>\n<p>O livro (da editora Favela \u00c9 Isso A\u00ed) est\u00e1 dividido em tr\u00eas partes. A primeira com oito textos de animadores de todas as regi\u00f5es (s\u00f3 faltou a regi\u00e3o Norte). A segunda apresenta entrevistas com animadores de variadas idades, estilos e origens. A terceira parte traz imagens de diversos trabalhos &#8220;malditos&#8221; (honrosamente entre eles est\u00e1 <a href=\"https:\/\/faustojunior.com\/blog\/?s=concerto#\" target=\"_blank\"><em>Concerto No. 1 para Celular e Orquestra<\/em>).<\/a><\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>PARTE 2 \u2013 ENTREVISTAS<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff6600;\"><strong>Allan Sieber<\/strong><\/span><br \/>\nO irreverente animador e quadrinista ga\u00facho fala sobre seus trabalhos e parcerias, seu processo criativo (sempre no jeito Allan Sieber de se expressar). Desde os curtas como <em><a href=\"https:\/\/youtu.be\/1ykx_WaH84s\" target=\"_blank\">Os Idiotas Mesmo<\/a><\/em> e <em>Deus \u00e9 Pai<\/em>, at\u00e9 webseries para o GShow, seus trabalhos t\u00eam sempre muitos di\u00e1logos e poucos movimentos.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 60px;\">\u201c<em>eu n\u00e3o sou tecnicamente um animador, porra, eu animei <\/em>Deus \u00e9 pai<em>, <\/em>Os idiotas mesmo<em>, mas aquilo n\u00e3o \u00e9 anima\u00e7\u00e3o assim tecnicamente, aquilo \u00e9 decupagem e corte, \u00e9 tudo corte, ningu\u00e9m se mexe, ningu\u00e9m levanta (risos), ningu\u00e9m anda, ningu\u00e9m levanta um copo, s\u00f3 peidam e falam (risos).<\/em>\u201d<\/p>\n<p style=\"padding-left: 60px; text-align: center;\"><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/jxGudYma2s0\" width=\"640\" height=\"480\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"color: #ff6600;\"><strong>Arnaldo Galv\u00e3o<\/strong><\/span><br \/>\nCom uma vasta experi\u00eancia, o caminho de Arnaldo Galv\u00e3o se confunde com a pr\u00f3pria hist\u00f3ria recente da anima\u00e7\u00e3o no Brasil (em 2014 ele finalizou o longa document\u00e1rio <em><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=IHRVecdiAk4\" target=\"_blank\">O Cinema Animado<\/a><\/em>, sobre a Hist\u00f3ria do Cinema de Anima\u00e7\u00e3o no Brasil). Na entrevista ele fala sobre seu per\u00edodo como cartunista, o in\u00edcio do festival Anima Mundi, seus trabalhos com Maur\u00edcio de Sousa, o processo de produ\u00e7\u00e3o do inesquec\u00edvel programa <em><a href=\"https:\/\/youtu.be\/vvoAytmhhYw?t=2m33s\" target=\"_blank\">R\u00e1-Tim-Bum<\/a><\/em>, al\u00e9m dos trabalhos em publicidade (foram mais de 200), e ainda sobre a funda\u00e7\u00e3o da ABCA.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 60px;\">\u201c<em>Em 1998 (acho), o Anima Mundi trouxe uma mostra apresentada pela Associa\u00e7\u00e3o Francesa de Anima\u00e7\u00e3o&#8230; que comemorava ter alcan\u00e7ado a marca de 500 horas de produ\u00e7\u00e3o local de anima\u00e7\u00e3o. Eles descreveram que antes da AFCA o panorama era muito parecido com o que viv\u00edamos no Brasil: os cinemas e a TV tomados exclusivamente por filmes e s\u00e9rie de anima\u00e7\u00e3o americanos, e nada de incentivo<\/em>.\u201d<\/p>\n<p>\u00c9 muito interessante ler esse relato de quem n\u00e3o apenas vivenciou de perto, mas tamb\u00e9m participou ativamente das transforma\u00e7\u00f5es no audiovisual (e particularmente na anima\u00e7\u00e3o) que se produz no Brasil.<\/p>\n<p>Arnaldo faz coment\u00e1rios sobre detalhes de alguns curtas que realizou, como <em><a href=\"http:\/\/portacurtas.org.br\/filme\/?name=uma_saida_politica\" target=\"_blank\">Uma Sa\u00edda Pol\u00edtica<\/a><\/em> (1990), <em><a href=\"http:\/\/portacurtas.org.br\/filme\/?name=disque_n_para_nascer\" target=\"_blank\">Disque N para Nascer<\/a><\/em> (1992) e o cl\u00e1ssico, o aclamado e campe\u00e3o de visualiza\u00e7\u00f5es no Porta Curtas, <em>Almas em Chamas<\/em> (2000).<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><iframe loading=\"lazy\" style=\"height: 360px; width: 480px; border: 0pt none;\" src=\"http:\/\/portacurtas.org.br\/player\/?exhibitor=fj_design___audiovisual0&amp;shortName=almas_em_chamas\" width=\"300\" height=\"150\" scrolling=\"no\"><\/iframe><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"color: #ff6600;\"><strong>C\u00e9sar Cabral<\/strong><\/span><br \/>\nDiretor e animador especialista na t\u00e9cnica <em>stop motion<\/em>, C\u00e9sar Cabral (SP) fala sobre o processo de cria\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o do premiad\u00edssimo curta <em>Dossi\u00ea R\u00ea Bordosa<\/em>, al\u00e9m de outros trabalhos, como o <em><a href=\"https:\/\/vimeo.com\/52494191\" target=\"_blank\">Tempestade<\/a><\/em> e o projeto do longa protagonizado por outro personagem de Angeli, o Bob Cuspe.<\/p>\n<p>Entre os trabalhos para publicidade, destaque para o <em><a href=\"https:\/\/vimeo.com\/28933572\" target=\"_blank\">Melissa Power of Love<\/a><\/em>, em que uma imensa parede foi coberta de <em>Post-it<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/player.vimeo.com\/video\/7296571?portrait=0\" width=\"640\" height=\"360\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #ff6600;\">Cl\u00e9cius Rodrigues<\/span> <\/strong><br \/>\nNascido em Bras\u00edlia de Minas e morando na tamb\u00e9m mineira Montes Claros, Cl\u00e9cius Rodrigues fala sobre os trabalhos feitos em parceria com o entrevistador S\u00e1vio Leite e sobre como \u00e9 ser um solit\u00e1rio animador <em>underground<\/em>. \u00a0Uma condi\u00e7\u00e3o muito comum \u00e0 absoluta maioria dos animadores no Brasil. Logo de in\u00edcio o fato da aprendizagem autodidata. \u00a0Outros dois pontos comentados por Cl\u00e9cius aparecem em outros textos e entrevistas do livro:<\/p>\n<ul>\n<li>A surpresa e sensa\u00e7\u00e3o de liberta\u00e7\u00e3o ao assistir pela primeira vez alguma anima\u00e7\u00e3o com tem\u00e1tica n\u00e3o-infantil. Enfim, a descoberta de que anima\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9, necessariamente, uma \u00e1rea voltada s\u00f3 para crian\u00e7as.<\/li>\n<\/ul>\n<ul>\n<li>A precariedade e falta de recursos ter suas vantagens, como o fato de se poder fazer o que quiser, do jeito que quiser, sem precisar prestar contas a ningu\u00e9m e ainda assim ser parabenizado por isso.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Sobre as habilidades que se espera de um bom animador ele diz:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 60px;\">\u201c<em>&#8230;tem que ter um timing. Saber o que vai virar aquela cena&#8230; \u00a0 Porque anima\u00e7\u00e3o se faz assim&#8230; Voc\u00ea desenha segundo. Voc\u00ea trabalha com segundos! Voc\u00ea n\u00e3o precisa necessariamente saber desenhar! Voc\u00ea pode animar uma laranja, um peda\u00e7o de papel.<\/em>\u201d<\/p>\n<p style=\"padding-left: 60px; text-align: center;\"><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/gftkQPrSxrk\" width=\"640\" height=\"480\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"color: #ff6600;\"><strong>Eduardo Perdido<\/strong><\/span><br \/>\nEm entrevista realizada via email, o animador paulista Eduardo Perdido fala sobre os primeiros trabalhos utilizando o programa Flash e o produtivo per\u00edodo em que aproveitava as greves na UFSCAR &#8211; Univ. Federal de S\u00e3o Carlos para produzir a s\u00e9rie <em>Roque &amp; Alfredo<\/em>.<\/p>\n<p>Bacharel em Imagem e Som, Eduardo faz parte de uma gera\u00e7\u00e3o que come\u00e7ou a animar diretamente com ferramentas digitais e a publicar os trabalhos no Youtube, fazendo sozinho boa parte de todo processo (desenhos, vozes, som, edi\u00e7\u00e3o) e praticamente com custo zero.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/54rSiIm2Rhs\" width=\"640\" height=\"480\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #ff6600;\">Marcelo Mar\u00e3o<\/span> <\/strong><br \/>\nEm uma divertida entrevista o animador Marcelo Mar\u00e3o (RJ) conta-nos sobre o seu inicio em meio a acetatos e trucas, os trabalhos para publicidade e a hist\u00f3ria da pol\u00eamica, maldita, amaldi\u00e7oada s\u00e9rie de curtas <em>Engolerviha<\/em>. Para a realiza\u00e7\u00e3o destes curtas Mar\u00e3o costuma encomendar a alguns animadores que atuam em publicidade (sempre pressionados e limitados pelos rigores exigidos pelos clientes) que criem livremente pe\u00e7as de at\u00e9 um minuto e que sejam bizarros. O resultado \u00e9 que os animadores, que sempre t\u00eam que produzir desenhos fofinhos, aproveitam a ocasi\u00e3o para soltar seus dem\u00f4nios. \u00a0Trata-se, vamos dizer, de uma experi\u00eancia de catarse.<\/p>\n<p>Muito legal ele descrever as rea\u00e7\u00f5es de quem assistiu ao primeiro <em>Engolervilha<\/em>:<br \/>\n<em>\u201cTomara que voc\u00ea v\u00e1 \u00e0 fal\u00eancia pra nunca mais fazer algo desse tipo.\u201d<\/em><br \/>\n<em>\u201cEsse filme vai arruinar sua carreira e \u00e9 bem feito, pra voc\u00ea aprender!\u201d<\/em><br \/>\nAt\u00e9 que algu\u00e9m sugeriu: \u201c<em>Por que voc\u00ea n\u00e3o faz outro?<\/em>\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><iframe loading=\"lazy\" style=\"height: 360px; width: 480px; border: 0pt none;\" src=\"http:\/\/portacurtas.org.br\/player\/?exhibitor=fj_design___audiovisual0&amp;shortName=engolervilha\" width=\"300\" height=\"150\" scrolling=\"no\"><\/iframe><\/p>\n<p>A conversa segue com a discuss\u00e3o comercial X experimental (e as &#8220;press\u00f5es&#8221; para que ele utilize tal e tal ferramenta &#8220;mais moderna&#8221; ao inv\u00e9s de seu &#8220;antiquado l\u00e1pis e papel&#8221;. Por fim,\u00a0a milit\u00e2ncia na ABCA e as transforma\u00e7\u00f5es ocorridas nos \u00faltimos anos na produ\u00e7\u00e3o e fomento da anima\u00e7\u00e3o no Brasil.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 60px;\">\u201c<em>Se algu\u00e9m, em 2001, falasse que queria fazer uma s\u00e9rie de anima\u00e7\u00e3o, voc\u00ea estaria maluco. Seria o rebelde! Ningu\u00e9m fazia aquilo, n\u00e3o existia aquilo no Brasil. E s\u00f3 porque n\u00e3o era uma coisa que ningu\u00e9m fazia no momento. A \u00fanica maneira de avan\u00e7ar, e at\u00e9 para a ind\u00fastria existir, tem que ter essa postura e existirem esses caras malditos<\/em>.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #ff6600;\">Maur\u00edcio Squarisi<\/span> <\/strong><br \/>\nMaur\u00edcio Squarisi (SP) fala sobre os 40 anos de atividades e as centenas de oficinas ministradas, junto com Wilson Lazaretti, pelo N\u00facleo de Cinema de Anima\u00e7\u00e3o de Campinas. Muitas destas oficinas foram realizadas em Super-8, 16 mm, 35 mm, quando precisavam levar um pequeno laborat\u00f3rio para revelar os filmes nos mais distantes locais do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Sobre as oficinas com e para crian\u00e7as, ele diz:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 60px;\">\u201c<em>Quando realizamos oficinas de anima\u00e7\u00e3o com crian\u00e7as vejo dois lados. De um lado levamos \u00e0s crian\u00e7as uma nova ferramenta de comunica\u00e7\u00e3o e express\u00e3o, principalmente quando trabalhamos em regi\u00f5es menos favorecidas socialmente (o que \u00e9 o caso da maioria). Percebemos que n\u00e3o \u00e9 somente o conhecimento do desenho animado que essas crian\u00e7as adquirem, notamos que melhora sua autoestima. De outro lado acredito que trazemos para o mundo da anima\u00e7\u00e3o o olhar diferenciado dessas crian\u00e7as, que, por terem uma experi\u00eancia de vida diferente, seus trabalhos refletem essa vivencia<\/em>.\u201d<\/p>\n<p>A seguir um dos muitos trabalhos que resultaram de oficinas com crian\u00e7as e adolescentes. Neste em especial tive a oportunidade de atuar como monitor junto a crian\u00e7as e jovens da regi\u00e3o do Pelourinho.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 60px; text-align: center;\"><div class='cow_johnson' style='padding:15px;margin-bottom:15px;float:left;margin-right:15px;width:640px;color:#666666!important;font-family:\"Segoe UI\";font-size:14px!important;line-height:18px!important;background:#FFFFFF;'><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/player.vimeo.com\/video\/146144200?portrait=0\" width=\"640\" height=\"480\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p>T\u00edtulo: SONHO DE NATAL \u00a0(2007 , 1\u201944\u201d)<br \/>\nAutores: Adolescentes do Pelourinho \/ Salvador \/ Bahia<br \/>\nSinopse: Para a crian\u00e7a que dorme na pra\u00e7a, o Gari vira Papai Noel&#8230;<\/div><div style=\"clear:both;\"><\/div><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #ff6600;\">Otto Guerra<\/span> <\/strong><br \/>\nO m\u00edtico animador ga\u00facho Otto Guerra fala sobre sua vasta carreira. \u00a0O processo de produ\u00e7\u00e3o e repercuss\u00e3o de seus trabalhos desde o in\u00edcio dos anos 80. Entre eles, <em><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=wp_QSROss3Q\" target=\"_blank\">O Natal do Burrinho<\/a><\/em> (1984), a hist\u00f3ria do nascimento de Jesus pela vis\u00e3o do burrinho, curta produzido nas horas vagas com o dinheiro ganho com trabalhos publicit\u00e1rios. Em 1994, o primeiro longa, <em>Rocky &amp; Hudson \u2013 os Caub\u00f3is Gays<\/em>, baseado nas tirinhas gay de Ad\u00e3o Iturrusgarai.<\/p>\n<p>H\u00e1 tamb\u00e9m relatos sobre o per\u00edodo tenebroso quando a produ\u00e7\u00e3o cinematogr\u00e1fica brasileira praticamente parou, mas sempre havia um curta de Otto Guerra participando dos festivais.\u00a0Conta tamb\u00e9m a dificuldade que sentiu para fazer a transi\u00e7\u00e3o do anal\u00f3gico para o digital:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 30px;\">\u201c<em>&#8230; eu tive que aprender a usar o computador, fiquei viciado em Doom, aquele jogo de 3D. \u00a0 Foi atrav\u00e9s dele que eu vi que o computador era uma coisa boa, n\u00e3o era coisa do cramulh\u00e3o<\/em>.\u201d<\/p>\n<p>Ele fala sobre a chegada de Marta Machado para trabalhar especificamente na produ\u00e7\u00e3o, a parceria que deu \u00e0 Otto Desenhos um salto de qualidade, saindo da publicidade para focar na produ\u00e7\u00e3o cultural.<\/p>\n<p>Em um trecho muito engra\u00e7ado Otto descreve como aconteceu o inusitado encontro com Maur\u00edcio de Sousa. Mais adiante comenta o longa lan\u00e7ado em 2014, <em><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=OBpQBAsMJpc\" target=\"_blank\">At\u00e9 Que a Sb\u00f3rnia nos Separe<\/a><\/em>, e o novo longa baseado na obra de Laerte, <em>Cidade dos Piratas<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><div class='cow_johnson' style='padding:15px;margin-bottom:15px;float:left;margin-right:15px;width:640px;color:#666666!important;font-family:\"Segoe UI\";font-size:14px!important;line-height:18px!important;background:#FFFFFF;'><iframe loading=\"lazy\" src=\"\/\/www.dailymotion.com\/embed\/video\/x22onkk\" width=\"640\" height=\"360\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><em>Novela <\/em>(1992 | 8 min)<em>.\u00a0<\/em>Uma s\u00e1tira \u00e0s telenovelas brasileiras, que mant\u00e9m as mesmas hist\u00f3rias recheadas de dramalh\u00f5es, intrigas, filhos bastardos e amores proibidos.\u00a0Realizado em 1992, mas sempre atual.<\/div><div style=\"clear:both;\"><\/div><\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #ff6600;\">Still<\/span> <\/strong><br \/>\nPodemos dizer (com todo o respeito e de modo positivo) que Still (RJ) \u00e9 um av\u00f4 dos dinossauros da anima\u00e7\u00e3o brasileira. Podemos dizer tamb\u00e9m que \u00e9 uma enciclop\u00e9dia viva. Ele fala sobre o Grupo Fotograma, que em 1968 e 1969 realizou mostras de anima\u00e7\u00e3o no MAM-RJ e chegou a produzir um programa de TV, o <em>Experi\u00eancia 68<\/em>, al\u00e9m dos diversos curtas que realizou. S\u00e3o dele tamb\u00e9m as vinhetas de abertura de v\u00e1rios programas da Rede Globo nos anos 70 e 80, como <em>Satiricom, Fa\u00e7a Amor, N\u00e3o Fa\u00e7a Guerra,\u00a0<\/em><em>Arma\u00e7\u00e3o Ilimitada <\/em>e<em> Doming\u00e3o do Faust\u00e3o.<\/em>.<\/p>\n<p>A seguir o curta <em>Asdr\u00fabal, o que \u00e9 que h\u00e1 com seu per\u00fa?<\/em>\u00a0(1978). O personagem-t\u00edtulo \u00e9 o zelador de um zool\u00f3gico,<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><iframe loading=\"lazy\" src=\"\/\/www.dailymotion.com\/embed\/video\/xfmh40\" width=\"640\" height=\"360\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.dailymotion.com\/video\/xfmh40_asdrubal-o-que-ha-com-seu-peru_shortfilms\" target=\"_blank\">Asdr\u00fabal, O que h\u00e1 com seu peru<\/a> <i>por <a href=\"http:\/\/www.dailymotion.com\/pestilpen\" target=\"_blank\">pestilpen<\/a><\/i><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #ff6600;\">Wilson Lazaretti<\/span> <\/strong><br \/>\nFundador do N\u00facleo de Cinema de Anima\u00e7\u00e3o de Campinas, Wilson Lazaretti (SP) fala sobre o surgimento do N\u00facleo, em 1975, que j\u00e1 tem mais de 2 mil oficinas realizadas. Grande parte das oficinas \u00e9 direcionada para crian\u00e7as, em que elas s\u00e3o autoras do filme, desenvolvendo roteiro, grafismo, anima\u00e7\u00e3o e trilha sonora. Lazaretti fala tamb\u00e9m sobre a produ\u00e7\u00e3o de brinquedos \u00f3ticos e o acervo com cerca de 300 filmes em diversos suportes e bitolas.<\/p>\n<p>Comenta os dois longas finalizados pelo N\u00facleo: <em>Hist\u00f3ria Antes de uma Hist\u00f3ria<\/em>, dirigido por Wilson, e, <em><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=qCHU4ccsf0k\" target=\"_blank\">Caf\u00e9 \u2013 Um Dedo de Prosa<\/a><\/em>, com dire\u00e7\u00e3o do grande parceiro Mauricio Squarisi.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/E4Zv7EC4jFk\" width=\"640\" height=\"360\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div class='cow_johnson' style='padding:15px;margin-bottom:15px;float:left;margin-right:15px;width:640px;color:#666666!important;font-family:\"Segoe UI\";font-size:14px!important;line-height:16px!important;background:#FFFFFF;'><\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:\u00a0<\/strong><span style=\"color: #222222;\"><!-- relpost-thumb-wrapper --><div class=\"relpost-thumb-wrapper\"><!-- filter-class --><div class=\"relpost-thumb-container\"><style>.relpost-block-single-image, .relpost-post-image { margin-bottom: 10px; }<\/style><h2>Leia tamb\u00e9m:<\/h2><div style=\"clear: both\"><\/div><div style=\"clear: both\"><\/div><!-- relpost-block-container --><div class=\"relpost-block-container relpost-block-column-layout\" style=\"--relposth-columns: 3;--relposth-columns_t: 2; --relposth-columns_m: 2\"><a href=\"https:\/\/faustojunior.com\/blog\/locadoras-resistem\/\"class=\"relpost-block-single\" ><div class=\"relpost-custom-block-single\"><div class=\"relpost-block-single-image rpt-lazyload\" aria-hidden=\"true\" role=\"img\" data-bg=\"https:\/\/faustojunior.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/locadoras-resistem-155x96.jpg\" style=\"background: transparent no-repeat scroll 0% 0%; width: 155px; height: 96px; aspect-ratio: 1\/1;\"><\/div><div class=\"relpost-block-single-text\"  style=\"height: 32px;font-family: Arial;  font-size: 12px;  color: #333333;\"><h2 class=\"relpost_card_title\">Locadoras resistem<\/h2><\/div><\/div><\/a><a href=\"https:\/\/faustojunior.com\/blog\/mapeamento-da-animacao\/\"class=\"relpost-block-single\" ><div class=\"relpost-custom-block-single\"><div class=\"relpost-block-single-image rpt-lazyload\" aria-hidden=\"true\" role=\"img\" data-bg=\"https:\/\/faustojunior.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/mapeamento-da-animacao-no-brasil-155x96.gif\" style=\"background: transparent no-repeat scroll 0% 0%; width: 155px; height: 96px; aspect-ratio: 1\/1;\"><\/div><div class=\"relpost-block-single-text\"  style=\"height: 32px;font-family: Arial;  font-size: 12px;  color: #333333;\"><h2 class=\"relpost_card_title\">Mapeamento da anima\u00e7\u00e3o<\/h2><\/div><\/div><\/a><a href=\"https:\/\/faustojunior.com\/blog\/odisseia-do-cinema-brasileiro\/\"class=\"relpost-block-single\" ><div class=\"relpost-custom-block-single\"><div class=\"relpost-block-single-image rpt-lazyload\" aria-hidden=\"true\" role=\"img\" data-bg=\"https:\/\/faustojunior.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/odisseia-cinema-brasileiro-capa-155x96.jpg\" style=\"background: transparent no-repeat scroll 0% 0%; width: 155px; height: 96px; aspect-ratio: 1\/1;\"><\/div><div class=\"relpost-block-single-text\"  style=\"height: 32px;font-family: Arial;  font-size: 12px;  color: #333333;\"><h2 class=\"relpost_card_title\">Odisseia do Cinema Brasileiro<\/h2><\/div><\/div><\/a><\/div><!-- close relpost-block-container --><div style=\"clear: both\"><\/div><\/div><!-- close filter class --><\/div><!-- close relpost-thumb-wrapper --><\/span>\u00a0<\/div><div style=\"clear:both;\"><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Por Fausto Junior Artigo publicado em conjunto com o Caderno de Cinema. 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