{"id":4633,"date":"2016-08-10T19:40:25","date_gmt":"2016-08-10T22:40:25","guid":{"rendered":"http:\/\/faustojunior.com\/blog\/?p=4633"},"modified":"2016-08-10T19:40:25","modified_gmt":"2016-08-10T22:40:25","slug":"entrevista-jorge-portugal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/faustojunior.com\/blog\/entrevista-jorge-portugal\/","title":{"rendered":"Entrevista: Jorge Portugal"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O Secret\u00e1rio de Cultura da Bahia, Jorge Portugal, em entrevista \u00e0 revista Muito (suplemento dominical do jornal A Tarde) responde perguntas de artistas, pesquisadores e produtores culturais.<\/p>\n<p><a title=\"Muito - Fernanda Tourinho\" href=\"http:\/\/faustojunior.com\/arquivos\/Muito_JorgePortugal.pdf\" target=\"_blank\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-4636 alignleft\" src=\"https:\/\/faustojunior.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/muito_jorge-portugal.png\" alt=\"muito_jorge-portugal\" width=\"128\" height=\"169\" \/>Veja entrevista em formato PDF<\/strong><\/a> (1,8 Mb)<br \/>\nReportagem: Tatiana Mendon\u00e7a<br \/>\nFotos: L\u00facio T\u00e1vora<\/p>\n<p>Revista Muito<br \/>\nedi\u00e7\u00e3o n\u00ba 422 de 7 de agosto de 2016<br \/>\nFonte:\u00a0<a href=\"http:\/\/atarde.uol.com.br\/muito\/noticias\/1792591-nunca-cogitei-ser-gestor-de-nada\" target=\"_blank\">atarde.uol.com.br\/muito\/noticias\/1792591-nunca-cogitei-ser-gestor-de-nada<\/a><\/p>\n<hr \/>\n<h2 class=\"titMateria colorEnt\">&#8220;Nunca cogitei ser gestor de nada&#8221;<\/h2>\n<p>Jorge Portugal, 60, cantarola Tarde em Itapu\u00e3, de Vinicius de Moraes e Toquinho, e logo interrompe a m\u00fasica para gabar-se de ter realizado o desejo expresso naqueles versos h\u00e1 15 anos, quando se mudou para o bairro. Foi em sua casa, numa tarde de ter\u00e7a-feira, que Portugal conversou com Muito para responder a perguntas feitas por artistas e pesquisadores de Salvador, com interven\u00e7\u00f5es pontuais da reportagem. H\u00e1 um ano e meio, o educador, poeta e compositor est\u00e1 \u00e0 frente da Secretaria de Cultura (Secult), sua primeira experi\u00eancia como gestor de um \u00f3rg\u00e3o p\u00fablico. Confessa que ocupar o cargo foi um desafio para a sua cabe\u00e7a. &#8220;Houve uns dois ou tr\u00eas meses em que eu entrava nas agendas, conversava com as pessoas e ficava meio tonto de tanta informa\u00e7\u00e3o, de ter que tomar tanta decis\u00e3o, de conferir tantos n\u00fameros. Depois, fui relaxando&#8221;. Nesse per\u00edodo, acostumou-se tamb\u00e9m a repetir como um mantra a raz\u00e3o da descontinuidade de algumas a\u00e7\u00f5es e projetos mantidos por seus antecessores, o diretor teatral M\u00e1rcio Meirelles (2007-2010) e o acad\u00eamico Albino Rubim (2011-2014). Mil vezes crise. &#8220;Quando cheguei, em 2015, encontrei o pior cen\u00e1rio econ\u00f4mico da hist\u00f3ria do pa\u00eds&#8221;. Diz que 2016 ainda n\u00e3o \u00e9 o ano &#8220;do sonho de ningu\u00e9m&#8221;, mas planeja, nos meses que restam, implantar ao menos dois novos projetos: o Escolas Culturais &#8211; que, como o nome entrega, pretende transformar estabelecimentos de ensino em centros culturais &#8211; e o Janela Baiana, que prev\u00ea apresenta\u00e7\u00f5es de artistas baianos precedendo os shows de cantores e bandas nacionais na Concha Ac\u00fastica. Em 2017, acalenta um desejo mais ambicioso. Quer &#8220;estourar o champanhe&#8221; da Bahia Filmes, ag\u00eancia de promo\u00e7\u00e3o do cinema baiano, que deve funcionar nos moldes da Rio Filmes e da Spcine.<\/p>\n<p><strong>Gisele Nussbaumer, pesquisadora &#8211; Percebemos gradativos cortes nos programas e recursos do estado para a cultura, a exemplo do Sua Nota \u00e9 um Show e Pelourinho Cultural, al\u00e9m dos editais, que n\u00e3o mais contemplam, especificamente, importantes elos da cadeia produtiva, como a circula\u00e7\u00e3o. Qual o lugar da cultura, em termos de import\u00e2ncia e or\u00e7amento, no atual governo?<\/strong><\/p>\n<p>N\u00f3s estamos num cen\u00e1rio de crise. Essas coisas se d\u00e3o por conta das circunst\u00e2ncias, e n\u00e3o como resultado de uma determinada pol\u00edtica de cortes na cultura. Sabe-se que o or\u00e7amento para a cultura, at\u00e9 mesmo na esfera federal, \u00e9 o menor de todos. E, quando voc\u00ea faz um corte linear, a cultura termina sendo duplamente penalizada, porque j\u00e1 tem um or\u00e7amento pequeno, e ele diminui mais ainda. Agora, em rela\u00e7\u00e3o ao Sua Nota \u00e9 um Show, estamos conversando com a Secretaria da Fazenda. S\u00f3 estou aguardando eles instaurarem o que chamam de nota eletr\u00f4nica para a gente retomar o projeto, que n\u00e3o ficar\u00e1 somente em Salvador.<\/p>\n<p><strong>Nadja Vladi, pesquisadora &#8211; [O ex-secret\u00e1rio da Cultura] M\u00e1rcio Meirelles mudou a pol\u00edtica cultural do estado. Albino Rubim [tamb\u00e9m ex-secret\u00e1rio] seguiu com essa reestrutura\u00e7\u00e3o. Na sua gest\u00e3o, percebe-se que o senhor est\u00e1 mexendo um pouco nisso. Cada vez h\u00e1 menos editais, os territ\u00f3rios de cultura n\u00e3o est\u00e3o sendo muito fomentados. N\u00e3o \u00e9 uma gest\u00e3o de rompimento, mas tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9, propriamente, de continuidade. Qual \u00e9 a sua ideia de sistema de cultura? Como \u00e9 que ele deve se mover agora?<\/strong><br \/>\nAcho que essa \u00e9 uma percep\u00e7\u00e3o err\u00f4nea. Sou o terceiro secret\u00e1rio de um mesmo projeto pol\u00edtico. Peguei a Secretaria de Cultura depois de M\u00e1rcio Meirelles ter implementado&#8230; Isso que foi realmente um rompimento. Porque antes, sabe-se muito bem como \u00e9 que se fazia cultura: atrav\u00e9s do telefone, com determinados privil\u00e9gios direcionados. Depois, ela se tornou uma pol\u00edtica republicana, democr\u00e1tica, o que foi mantido por Albino e continuado por mim. N\u00e3o h\u00e1 mudan\u00e7a. Quanto aos editais, quando tomei posse, em 2015, afirmei que pagaria todo o passado. Ent\u00e3o, parte do montante do Fundo de Cultura foi para pagar a d\u00edvida. Hoje a cultura n\u00e3o deve nada a ningu\u00e9m. Com os 15 milh\u00f5es que sobraram, n\u00f3s ainda fizemos o Agita\u00e7\u00e3o Cultural [Edital de Dinamiza\u00e7\u00e3o em Espa\u00e7os Culturais]. No Agita\u00e7\u00e3o Cultural, prometi que ia pagar numa parcela s\u00f3, no mesmo ano, e assim foi feito. Todo mundo recebeu. Este ano, quero pagar 70% do valor de cada edital at\u00e9 dezembro. Os recursos do FazCultura e do Fundo de Cultura n\u00e3o foram contingenciados. O or\u00e7amento para investimento \u00e9 que diminuiu bastante, ficou quase que inexistente. Mas tenho dialogado permanentemente com a \u00e1rea da Fazenda. E tenho encontrado em Manoel Vit\u00f3rio [secret\u00e1rio da Fazenda] uma pessoa de sensibilidade extrema.<\/p>\n<p><strong>Isaura Tupiniquim, dan\u00e7arina &#8211; Como o senhor entende a ideia de pol\u00edticas p\u00fablicas para as artes? Sei que a pergunta parece ampla, mas acredito que sua resposta pode evidenciar a \u00e9tica pol\u00edtica-est\u00e9tica do seu lugar de fala, e isso nos interessa como artistas e intelectuais.<\/strong><br \/>\nIsso da\u00ed d\u00e1 uma tese. Olhe bem, o que faz uma secretaria? Fomentar. Ela n\u00e3o cria absolutamente nada. A criatividade est\u00e1 no \u00e2mago das artes. E o que pode fazer uma pol\u00edtica cultural \u00e9 fomentar as pessoas que criam. Isso n\u00f3s fazemos atrav\u00e9s de duas linhas: a linha do FazCultura &#8211; que \u00e9 de alguma maneira muito mais&#8230;. em bom termo, conduzida pelo marketing das empresas &#8211; e o Fundo de Cultura, que \u00e9 a forma de pol\u00edtica cultural mais democr\u00e1tica do pa\u00eds. Infelizmente, n\u00e3o tenho um grande or\u00e7amento para fazer a metade do que est\u00e1 na minha cabe\u00e7a, na esfera dos meus desejos. Costumo dizer que cheguei \u00e0 secretaria com sonhos m\u00faltiplos para uma LOA [Lei Or\u00e7ament\u00e1ria Anual] e terminei guardando todos eles para o PPA [Plano Plurianual]. Quando cheguei, em 2015, encontrei o pior cen\u00e1rio econ\u00f4mico da hist\u00f3ria do pa\u00eds. Quero at\u00e9 contar uma coisa que li outro dia. Perguntaram a Manoel Vit\u00f3rio se ele tinha alguma boa not\u00edcia para 2016. Ele disse: &#8216;Tenho. 2017&#8217; (ri). Ent\u00e3o 2016 ainda n\u00e3o \u00e9 um ano do sonho de ningu\u00e9m.<\/p>\n<p><strong>Mas j\u00e1 deu para realizar algum desses sonhos que o senhor tinha?<\/strong><br \/>\nEstamos indo aos poucos. Por exemplo, estou praticamente entregando ao governador o projeto das Escolas Culturais. Por qu\u00ea? Porque sou uma interse\u00e7\u00e3o entre a cultura e a educa\u00e7\u00e3o. E eu sentia que havia uma certa aparta\u00e7\u00e3o dessas \u00e1reas. Esse projeto vai dialogar com os dois grandes pactos do governo, o Educar para Transformar e o Pacto pela Vida. Portanto, ele \u00e9 multidisciplinar, conversa com seguran\u00e7a, com educa\u00e7\u00e3o, com justi\u00e7a, com desenvolvimento social. Todos os territ\u00f3rios da Bahia s\u00e3o riqu\u00edssimos, somos uma explos\u00e3o cultural permanente, mas, muitas vezes, voc\u00ea tem cidades de vinte, quinze mil habitantes que n\u00e3o t\u00eam nenhum espa\u00e7o cultural. Nossa proposta \u00e9 que a escola seja o grande espa\u00e7o cultural dessas cidades. Queremos fazer este ano pelo menos o piloto deste projeto.<\/p>\n<p><strong>Gil Vicente Tavares, dramaturgo &#8211; Os editais setoriais s\u00e3o um balaio de gato, onde artistas e projetos dos mais distintos em hist\u00f3rico e relev\u00e2ncia concorrem em p\u00e9 de igualdade e ficam \u00e0 merc\u00ea da subjetividade de uma comiss\u00e3o que nem sempre tem no valor art\u00edstico seu foco na escolha. Com isso, indicadores como festivais, quantidade de p\u00fablico e reconhecimento art\u00edstico n\u00e3o s\u00e3o levados em conta e\/ou servem, ao contr\u00e1rio, como argumento para dar oportunidade a outros, descontinuando trabalhos s\u00f3lidos. O que o senhor pensa sobre isso?<\/strong><br \/>\nPrimeiro, n\u00e3o concordo tanto. Toda comiss\u00e3o avaliadora tem, sim, o seu quantum de subjetividade. N\u00e3o conhe\u00e7o outra forma de fazer uma escolha com maior isen\u00e7\u00e3o que n\u00e3o seja atrav\u00e9s de uma comiss\u00e3o de pessoas que s\u00e3o not\u00f3rias do conhecimento daquilo que julgam. Se n\u00e3o fosse assim, seria o qu\u00ea? A pessoa do secret\u00e1rio que julgaria? O secret\u00e1rio \u00e9 atento, n\u00e3o tenha d\u00favida. Estou mergulhado nesse oceano desde que me fiz gente. Sei do valor dele [Gil Vicente Tavares], sei de cor todas as pe\u00e7as que voc\u00ea encenou, mas isso n\u00e3o me autoriza a fazer indica\u00e7\u00f5es aqui ou ali. Se fosse assim, Deus do c\u00e9u, a gente voltaria aos prim\u00f3rdios, antes dos editais republicanos.<\/p>\n<p><strong>Mas como fomentar a continuidade de projetos art\u00edsticos que t\u00eam uma trajet\u00f3ria longa, reconhecida?<\/strong><br \/>\nAcho que a iniciativa privada ainda contribui muito pouco com a cultura. S\u00f3 vai quando h\u00e1 isen\u00e7\u00e3o fiscal. Quando cheguei, ouvi uma reclama\u00e7\u00e3o muito grande do Museu Carlos Costa Pinto. Que ia fechar, que estava numa situa\u00e7\u00e3o delicada etc. E ningu\u00e9m se lembrava que o estado contribui, atrav\u00e9s das a\u00e7\u00f5es continuadas do Fundo de Cultura, com o Museu Carlos Costa Pinto, assim como com outras 14 institui\u00e7\u00f5es. Sei que o dinheiro do estado \u00e9 insuficiente. Mas ser\u00e1 que um empres\u00e1rio sens\u00edvel, sabendo da import\u00e2ncia daquele museu, do tesouro que ele guarda, n\u00e3o poderia chegar e dizer que quer contribuir?<\/p>\n<p><strong>Celso Jr., dramaturgo &#8211; Qual foi a \u00faltima pe\u00e7a de teatro que o senhor assistiu, na Bahia? E o que o senhor achou da pe\u00e7a?<\/strong><br \/>\n(Ri). X\u00f4 ver aqui, rapaz&#8230; Me lembre a\u00ed, v\u00e1 [dirige-se \u00e0 assessora]. Assisti a tantas pe\u00e7as, bicho, ultimamente&#8230; A \u00faltima&#8230; T\u00e1 perguntando \u00e0 mem\u00f3ria de um sexagen\u00e1rio. Bom, na Bahia, assisti \u00e0 pe\u00e7a com Marieta [Severo]. Inc\u00eandios, \u00e9. [A pe\u00e7a esteve em cartaz nos dias 17 e 18\/4, no Teatro Castro Alves].<\/p>\n<p><strong>Ele est\u00e1 perguntando tamb\u00e9m o que o senhor achou.<\/strong><br \/>\nPorra, eu sa\u00ed de l\u00e1 e dei um beijo estalado na bochecha&#8230; Como \u00e9 o nome dele, o diretor? Aderbal Freire Filho! Uma encena\u00e7\u00e3o genial.<\/p>\n<p><strong>De baiano, o senhor lembra de algum?<\/strong><br \/>\nLembro, lembro. Todos os que foram encenados no Vila Velha.<\/p>\n<p><strong>F\u00e1bio Magalh\u00e3es, artista visual &#8211; Diante da atual conjuntura das artes visuais, com a extin\u00e7\u00e3o do Sal\u00e3o da Bahia desde 2009 e dos Sal\u00f5es Regionais, o cancelamento de pr\u00eamios como Matilde Mattos e Portas Abertas para as Artes Visuais e a Bienal da Bahia, sem previs\u00e3o de uma pr\u00f3xima edi\u00e7\u00e3o, como o senhor v\u00ea e pensa o fomento da produ\u00e7\u00e3o de seus artistas pl\u00e1sticos, principalmente os jovens?<\/strong><br \/>\nDe fato, a aus\u00eancia da Bienal vai abrir uma lacuna muito grande. Mas o motivo \u00e9 o mesmo, eu n\u00e3o preciso repetir. N\u00e3o h\u00e1 or\u00e7amento. Mas n\u00f3s estamos completamente abertos para os novos artistas. Temos todos os nossos espa\u00e7os culturais, sobretudo os centros culturais do interior, abertos para exposi\u00e7\u00e3o. E eles est\u00e3o sendo pautados sem parar.<\/p>\n<p><strong>Cl\u00e1udio Marques, cineasta &#8211; Finalmente, tivemos um edital com valor expressivo para o cinema (R$ 14 milh\u00f5es). Mas sabemos que pol\u00edtica cultural se faz com continuidade, e nosso hist\u00f3rico n\u00e3o \u00e9 dos melhores. Nos \u00faltimos 10 anos, tivemos apenas cinco editais e os valores eram inexpressivos ante estados como Pernambuco e o Distrito Federal. O senhor acredita que ser\u00e1 poss\u00edvel manter o edital para o setor nos pr\u00f3ximos anos?<\/strong><br \/>\nTotalmente. N\u00e3o teria sentido fazer um edital encorpado para o audiovisual num ano e, depois, voltar para o patamar dos R$ 6,5 milh\u00f5es, que era o valor anterior. Al\u00e9m do mais&#8230; Bom, n\u00e3o gosto de falar essas coisas, porque amanh\u00e3 j\u00e1 v\u00e3o come\u00e7ar a me cobrar. Mas ainda n\u00e3o tirei da minha cabe\u00e7a e estou trabalhando desassossegadamente pela cria\u00e7\u00e3o da Bahia Filmes. N\u00f3s come\u00e7amos uma conversa produtiv\u00edssima com a SDE [Secretaria de Desenvolvimento Econ\u00f4mico], que tem um especial interesse nesse assunto; com alguns cineastas &#8211; n\u00e3o vou dizer quem s\u00e3o, porque sen\u00e3o o ci\u00fame vem -; e com o nosso querido Bertrand [Duarte], que \u00e9 o diretor de audiovisual. Espero que no m\u00e1ximo em 2017 a gente estoure esse champanhe.<\/p>\n<p><strong>Nelson Macca, poeta e ativista cultural &#8211; A cidade de S\u00e3o Paulo acaba de sancionar a lei de fomento \u00e0 cultura da periferia, com or\u00e7amento de nove milh\u00f5es. L\u00e1, atrav\u00e9s do Vai &#8211; Programa para a Valoriza\u00e7\u00e3o de Iniciativas Culturais, de 2004, in\u00fameros projetos liter\u00e1rios ligados \u00e0 cena perif\u00e9rica t\u00eam permitido publica\u00e7\u00f5es e eventos nos quais a literatura contempor\u00e2nea local \u00e9 central. O senhor acompanha essas iniciativas? O que tem pensado com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 cena liter\u00e1ria das periferias pobres, sertanejas, ind\u00edgenas e pretas do estado da Bahia?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o s\u00f3 acompanho, como participo de alguns desses saraus, como poeta que sou. Tenho conversado ultimamente com Zulu Ara\u00fajo, que \u00e9 o diretor da [Funda\u00e7\u00e3o] Pedro Calmon, e com a coordena\u00e7\u00e3o de literatura da Funceb [Funda\u00e7\u00e3o Cultural do Estado da Bahia], com vistas \u00e0 gente dar um tratamento especial\u00edssimo a essa forma de express\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Hoje h\u00e1 alguma a\u00e7\u00e3o nesse sentido?<\/strong><br \/>\nAinda n\u00e3o. Estou h\u00e1 um ano e meio [na secretaria]. Outro dia, um babaca escreveu no Facebook: &#8216;Com dois anos e meio, Jorge Portugal ainda n\u00e3o mostrou a que veio&#8217;. O tempo para ele passou depressa como a porra. Falei: rapaz, primeiro, voc\u00ea precisa aprender aritm\u00e9tica. S\u00f3 neste semestre, tivemos a Concha Ac\u00fastica, o S\u00e3o Jo\u00e3o, lan\u00e7amento de editais. As pessoas ou n\u00e3o percebem isso ou ent\u00e3o percebem e&#8230; (suspira). \u00c9 dif\u00edcil. Mas \u00e9 gostoso, tamb\u00e9m.<\/p>\n<p><strong>Jo\u00e3o Jorge, presidente do Olodum &#8211; Quando o programa de a\u00e7\u00f5es continuadas ser\u00e1 estendido \u00e0s organiza\u00e7\u00f5es afro-baianas?<\/strong><br \/>\nIsso da\u00ed \u00e9 um conv\u00eanio que tem determinada dura\u00e7\u00e3o. E esse conv\u00eanio chega ao seu terceiro ano, que \u00e9 o tempo m\u00e1ximo, este ano. N\u00f3s teremos um edital novo, abrindo a possibilidade para as entidades de matriz africana.<\/p>\n<p><strong>Elas ir\u00e3o concorrer com as demais ou haver\u00e1 algum edital espec\u00edfico?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o, v\u00e3o concorrer conjuntamente.<\/p>\n<p><strong>Lazzo Matumbi, cantor &#8211; O senhor pensa em implantar um projeto de fomento musical, tal como era o Projeto Pixinguinha ou retomar o Sua Nota \u00e9 um Show, para investir na melhoria da qualidade da m\u00fasica produzida na Bahia?<\/strong><br \/>\n\u00d4, que pergunta boa!<\/p>\n<p><strong>Mas ele faz uma observa\u00e7\u00e3o: &#8220;Com o compromisso de que o repasse dos pagamentos seja feito de forma mais r\u00e1pida, ao contr\u00e1rio da realidade atual&#8221;.<\/strong><br \/>\nAh, meu Deus, diga a Lazzo que eu tamb\u00e9m j\u00e1 sofri muito com isso&#8230; J\u00e1 falei sobre a retomada do Sua Nota \u00e9 um Show, e n\u00f3s estamos tamb\u00e9m dando os \u00faltimos retoques num projeto chamado Janela Baiana. \u00c9 justamente a apresenta\u00e7\u00e3o de artistas baianos precedendo os shows de artistas nacionais que venham para a Concha Ac\u00fastica. A ideia \u00e9 que o projeto comece j\u00e1. S\u00f3 estou esperando que a PGE [Procuradoria Geral do Estado] d\u00ea o OK. Quero isso tamb\u00e9m em outras linguagens, como teatro, dan\u00e7a, circo&#8230;<\/p>\n<p><strong>O senhor completou 60 anos no \u00faltimo dia 5.<\/strong><br \/>\n(Olha para o alto) N\u00e3o fale isso.<\/p>\n<p><strong>Por qu\u00ea? Est\u00e1 em crise?<\/strong><br \/>\nDe qu\u00ea?<\/p>\n<p><strong>De idade.<\/strong><br \/>\nDe idade? Menina, n\u00e3o. Porque nunca passei de 32 anos na minha cabe\u00e7a. Levei 40 anos convivendo e ensinando \u00e0 faixa et\u00e1ria de 17-18 anos. E a\u00ed n\u00e3o sentia o tempo passar. Quando sa\u00ed um pouco disso foi que comecei a recordar coisas. Esse cara foi meu aluno e j\u00e1 \u00e9 esse m\u00e9dico famoso&#8230; Mas chegar aos 60 anos, como estou chegando, \u00e9 uma d\u00e1diva.<\/p>\n<p><strong>Como est\u00e1 sendo, pessoalmente, para o senhor essa experi\u00eancia \u00e0 frente da Secretaria de Cultura? \u00c9 muito diferente do que o senhor imaginava?<\/strong><br \/>\nMuito. Foi um desafio para a minha cabe\u00e7a. Primeiro, que nunca cogitei ser gestor de nada. Houve uns dois ou tr\u00eas meses em que eu entrava nas agendas, conversava com as pessoas e ficava meio tonto de tanta informa\u00e7\u00e3o, de ter que tomar tanta decis\u00e3o, de conferir tantos n\u00fameros. Depois, fui relaxando. Para o artista, criar \u00e9 isso (estala os dedos). Ent\u00e3o, esperar o tempo da burocracia para o artista \u00e9 algo altamente aflitivo. Por isso, digo a eles: fiquem tranquilos, que estou aqui, mas continuo a\u00ed onde voc\u00eas est\u00e3o. Entendo totalmente a dor de voc\u00eas, porque essa dor tamb\u00e9m \u00e9 minha.<\/p>\n<p><strong>O senhor est\u00e1 gostando da experi\u00eancia, a ponto de pensar em repeti-la no futuro?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o. Experi\u00eancia \u00fanica. O que quero, se Deus quiser, \u00e9 voltar a pegar meu viol\u00e3o, voltar a sentar com Roberto [Mendes], com Lazzo [Matumbi], fazer m\u00fasicas, voltar \u00e0 minha sala de aula ou ao meu programa. Mas miss\u00e3o \u00e9 miss\u00e3o. At\u00e9 2018, n\u00e9? At\u00e9 2018, se o doutor Rui Costa quiser, continuo l\u00e1.<\/p>\n<div class='cow_johnson' style='padding:15px;margin-bottom:15px;float:left;margin-right:15px;width:640px;color:#666666!important;font-family:\"Segoe UI\";font-size:14px!important;line-height:16px!important;background:#FFFFFF;'><\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:\u00a0<\/strong><span style=\"color: #222222;\"><!-- relpost-thumb-wrapper --><div class=\"relpost-thumb-wrapper\"><!-- filter-class --><div class=\"relpost-thumb-container\"><style>.relpost-block-single-image, .relpost-post-image { margin-bottom: 10px; }<\/style><h2>Leia tamb\u00e9m:<\/h2><div style=\"clear: both\"><\/div><div style=\"clear: both\"><\/div><!-- relpost-block-container --><div class=\"relpost-block-container relpost-block-column-layout\" style=\"--relposth-columns: 3;--relposth-columns_t: 2; --relposth-columns_m: 2\"><a href=\"https:\/\/faustojunior.com\/blog\/entrevista-edgard-navarro\/\"class=\"relpost-block-single\" ><div class=\"relpost-custom-block-single\"><div class=\"relpost-block-single-image rpt-lazyload\" aria-hidden=\"true\" role=\"img\" data-bg=\"https:\/\/faustojunior.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/edgard-navarro_abaixo-a-gravidade-155x96.jpg\" style=\"background: transparent no-repeat scroll 0% 0%; 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