{"id":4875,"date":"2016-11-19T15:19:47","date_gmt":"2016-11-19T18:19:47","guid":{"rendered":"http:\/\/faustojunior.com\/blog\/?p=4875"},"modified":"2016-11-19T15:24:42","modified_gmt":"2016-11-19T18:24:42","slug":"entrevista-manoel-rangel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/faustojunior.com\/blog\/entrevista-manoel-rangel\/","title":{"rendered":"Entrevista: Manoel Rangel"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em entrevista ao jornal A Tarde, o diretor-presidente da Ancine Manoel Rangel fala sobre as pol\u00edticas implementadas e a evolu\u00e7\u00e3o no setor do audiovisual ao longo dos \u00faltimos 15 anos.<\/p>\n<hr \/>\n<p>S\u00e1b, 19\/11\/2016<\/p>\n<h2 class=\"titMateria colorEnt\">Diretor da Ancine destaca presen\u00e7a da Bahia em editais<\/h2>\n<p class=\"creditoMateria\">Adalberto Meireles l Especial para A TARDE<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/atarde.uol.com.br\/cinema\/noticias\/1817291-diretor-da-ancine-destaca-presenca-da-bahia-em-editais\" target=\"_blank\">http:\/\/atarde.uol.com.br\/cinema\/noticias\/1817291-diretor-da-ancine-destaca-presenca-da-bahia-em-editais<\/a><\/p>\n<p>A terceira edi\u00e7\u00e3o da Chamada P\u00fablica de Arranjos Financeiros Estaduais e Regionais trouxe a Salvador o diretor-presidente da Ag\u00eancia Nacional de Cinema &#8211; Ancine, Manoel Rangel, que fez o lan\u00e7amento oficial quinta-feira \u00e0 noite na\u00a0 3\u00aa Reuni\u00e3o Ordin\u00e1ria F\u00f3rum Nacional de Secret\u00e1rios e Dirigentes Estaduais de Cultura, no Palacete das Artes. A linha de a\u00e7\u00e3o integra o Programa Brasil de Todas as Telas e se prop\u00f5e a financiar projetos de filmes e s\u00e9ries de TV selecionados em editais, em parceria com \u00f3rg\u00e3os e entidades da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica do Distrito Federal e dos governos estaduais e prefeituras das capitais das Regi\u00f5es Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sul e dos Estados de Minas Gerais e Esp\u00edrito Santo. Remanescente do governo Dilma, Rangel, que est\u00e1 no cargo h\u00e1 10 anos, cumpre mandato at\u00e9 maio de 2017. Em entrevista exclusiva a <strong>A TARDE<\/strong>, ele explica como funcionam os chamados Arranjos Regionais, fala sobre os quase 15 anos\u00a0 de cria\u00e7\u00e3o da Ancine e das pol\u00edticas implementadas para o setor do audiovisual. Em destaque, temas como o salto dado pela TV paga desde ent\u00e3o, a frequ\u00eancia \u00e0s salas de cinema no Brasil, a digitaliza\u00e7\u00e3o do parque exibidor, a quest\u00e3o do recolhimento da Condecine (Contribui\u00e7\u00e3o para o Desenvolvimento da Ind\u00fastria Cinematogr\u00e1fica Nacional) pelas empresas de telefonia e o fen\u00f4meno da chegada dos servi\u00e7os de v\u00eddeo sob demanda (VOD).<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-4878\" src=\"https:\/\/faustojunior.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/manoel_rangel_diretor-ancine.jpg\" alt=\"manoel_rangel_diretor-ancine\" width=\"640\" height=\"369\" srcset=\"https:\/\/faustojunior.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/manoel_rangel_diretor-ancine.jpg 650w, https:\/\/faustojunior.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/manoel_rangel_diretor-ancine-300x173.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Como funcionam as parcerias com governos do estados e prefeituras?<\/strong><br \/>\nEsta \u00e9 a terceira edi\u00e7\u00e3o dos Arranjos e um\u00a0 convite aos governos de estados e prefeituras das capitais para firmarem parceria com a Ancine e o Fundo Setorial do Audiovisual. N\u00f3s lan\u00e7amos o primeiro em 2014, o segundo em 2015 e agora estamos lan\u00e7ando o terceiro. Nessa edi\u00e7\u00e3o n\u00f3s estamos investindo R$ 100 milh\u00f5es.\u00a0 A gente abriu uma convocat\u00f3ria, o estado nos apresenta uma proposta de parceria, nessa\u00a0 proposta ele diz quanto vai investir, sem filmes, sem s\u00e9ries, sem comercializa\u00e7\u00e3o de obras. Para este ano, a gente abriu tamb\u00e9m para projetos de capacita\u00e7\u00e3o de m\u00e3o de obra t\u00e9cnica para o mercado audiovisual. E com base no volume de recursos que ele aporta, a Ancine multiplica o valor. Ent\u00e3o, para cada R$ 1, a gente coloca R$ 2, no Norte, Nordeste e Centro-oeste. No Sul, Minas e Esp\u00edrito Santo para cada R$ 1 a gente coloca um R$ 1, 5. S\u00e3o Paulo e Rio, para cada\u00a0 R$ 1 a gente coloca R$ 1. A partir da\u00ed a gente pode colocar at\u00e9\u00a0 R$ 10 milh\u00f5es do Fundo Setorial do Audiovisual sempre levando em conta quanto o estado, quanto a prefeitura da capital colocaram. E a partir da\u00ed se lan\u00e7a o edital que \u00e9 todo comandado pelo governo ou pela prefeitura.<\/p>\n<p><strong>Em Salvador vai ter parceria com a prefeitura tamb\u00e9m?<\/strong><br \/>\nA convocat\u00f3ria\u00a0 \u00e9 aberta. Em 2014 vieram o governo do estado e a prefeitura. A Bahia participou com dois editais, um comandado pelo Irdeb, que selecionou\u00a0 11 projetos, e um\u00a0 comandado pela Funda\u00e7\u00e3o Greg\u00f3rio de Mattos, que contemplou quatro projetos. Na segunda convocat\u00f3ria s\u00f3 veio o governo do estado, atrav\u00e9s da Secretaria de Cultura, que contemplou quatro projetos<\/p>\n<p><strong>A Bahia tem sido beneficiada no \u00e2mbito dos editais da Ancine em geral&#8230;<\/strong><br \/>\nA Bahia tem tido uma presen\u00e7a ativa nos nossos v\u00e1rios editais. N\u00f3s, agora, em 11 de novembro, divulgamos\u00a0 o resultado do\u00a0 Prodecine-5, que \u00e9 uma linha dedicada a filmes\u00a0 de longa-metragem de inova\u00e7\u00e3o, que tem dois projetos da Bahia contemplados. O longa de fic\u00e7\u00e3o <em>A Pele Morta<\/em>, da produtora Ara\u00e7\u00e1 Azul, dire\u00e7\u00e3o de\u00a0 Geraldo Moraes, e o projeto <em>Rio de Vozes<\/em>, que \u00e9 um document\u00e1rio da produtora Santa Luzia Filmes, com dire\u00e7\u00e3o de Andrea Santana e Jean-Pierre Duret. Tivemos tamb\u00e9m no edital de TVs p\u00fablicas &#8211; foram 94 no pa\u00eds inteiro, 57 na segunda -,\u00a0 sete obras audiovisuais s\u00e3o de produtoras da Bahia. Dos 69 N\u00facleos Criativos, que s\u00e3o n\u00facleos de desenvolvimento de roteiro e formato nas empresas de audiovisual, que\u00a0 ajudam a estruturar melhor as empresas a dar consist\u00eancia aos projetos desenvolvidos, s\u00e3o quatro n\u00facleos criativos sitiados na Bahia. As ganhadoras foram\u00a0 Ondina Filmes, Nova Continental Produ\u00e7\u00f5es, DPE Produ\u00e7\u00f5es e Origem Comunica\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o, voc\u00ea v\u00ea que a Bahia tem participado ativamente das nossas convocat\u00f3rias. Os Arranjos Regionais potencializam esse apoio, mas o estado tamb\u00e9m participa das v\u00e1rias convocat\u00f3rias nacionais que a gente tem feito.<\/p>\n<p><strong>A Ancine tem 15 anos de criada. H\u00e1 10 anos o Sr. est\u00e1 como diretor presidente da ag\u00eancia. De l\u00e1 para c\u00e1 o que mudou no cen\u00e1rio do audiovisual brasileiro?<\/strong><br \/>\nMudou muita coisa, porque o mundo mudou, o Brasil mudou, e n\u00f3s tivemos a oportunidade de construir uma pol\u00edtica de estado para o setor audiovisual. Posso lhe dar alguns n\u00fameros que s\u00e3o bons exemplos de como n\u00f3s evolu\u00edmos nesses anos. Quando a Ancine foi criada, quando ela foi instalada, em fevereiro de 2002, o Brasil tinha 1.635 salas de cinema. Hoje tem 3.126 salas de cinema funcionando. O Brasil, em 2002, exibiu 30 filmes de longa metragem. Em 2015, exibimos 129, e este ano n\u00f3s j\u00e1 superamos 130 filmes. Em 2002, o Brasil vendeu 8 milh\u00f5es de ingressos de filmes brasileiros. Em 2015 foram 22 milh\u00f5es. N\u00f3s vendemos no total de ingressos em todo o mercado de cinema, em 2002, 80 milh\u00f5es. No ano passado, o Brasil vendeu 173 milh\u00f5es. Este ano vai vender 190 milh\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>E quanto \u00e0 TV paga?<\/strong><br \/>\nNa TV paga, um outro exemplo, n\u00f3s t\u00ednhamos, em 2002, 3, 6 milh\u00f5es de assinantes. Em outubro de 2016 temos 19, 6 milh\u00f5es. No primeiro ano da Ancine, foram licenciadas 200 obras brasileiras para serem exibidas em\u00a0 canais de TV paga. No ano de 2015, foram 3.600 obras. Em 2002, n\u00f3s t\u00ednhamos s\u00f3 um canal que exibia conte\u00fado brasileiro na TV paga. Atualmente, temos 100 que exibem conte\u00fado brasileiro de produ\u00e7\u00e3o independente, sendo que 20 deles exibem tr\u00eas horas di\u00e1rias e\u00a0 quatro exibem 12 horas di\u00e1rias de conte\u00fado brasileiro. Ou seja, mudou muito, profundamente. N\u00f3s passamos a ter o marco regulat\u00f3rio da TV paga, que permitiu o crescimento e levou o conte\u00fado brasileiro para ser transmitido na TV paga. N\u00f3s passamos a ter um fundo publico de desenvolvimento do setor audiovisual, alimentado com recursos da pr\u00f3pria atividade. N\u00f3s passamos a ter uma politica ativa de crescimento tanto do mercado da TV paga quanto do mercado de salas de cinema, porque eram dois mercados relativamente pequenos de audiovisual no Brasil, o grande\u00a0 sempre foi o da TV aberta\u00a0 e era, na \u00e9poca, o de mercado de DVD. Hoje, o mercado de DVD praticamente desapareceu,\u00a0 perdeu for\u00e7a, por raz\u00f5es tecnol\u00f3gicas, mas n\u00f3s crescemos nesses v\u00e1rios\u00a0 outros segmentos de televis\u00e3o e do mercado audiovisual.<\/p>\n<p><strong>O que possibilitou esse crescimento?<\/strong><br \/>\nEu diria que o fator principal disso tudo \u00e9 que se construiu uma pol\u00edtica de estado para o setor audiovisual. Essa pol\u00edtica\u00a0 transcende os governos. Ela tem\u00a0 apoio em todas as for\u00e7as do espectro politico brasileiro, que apoiou\u00a0 a aprova\u00e7\u00e3o das v\u00e1rias leis que sustentam a atividade audiovisual. E n\u00f3s tivemos o apoio de todos os presidentes da Rep\u00fablica at\u00e9 aqui. O presidente Itamar franco, que criou a Lei do Audiovisual, o presidente Fernando Henrique, que fez a medida provis\u00f3ria que criou a Ancine, o presidente Lula, que fez a lei que criou o Fundo Setorial do Audiovisual, a presidenta Dilma,\u00a0 que fez a lei da TV paga e a lei do cinema perto de voc\u00ea, e agora o presidente Temer, que j\u00e1 anunciou publicamente que vai renovar os\u00a0 prazos de vig\u00eancia da Lei do Audiovisual por mais cinco anos. Isso tamb\u00e9m mostra uma vis\u00e3o\u00a0 do estado brasileiro representado no seu parlamento, na sua sociedade, que aposta\u00a0 que o audiovisual \u00e9 algo importante para o desenvolvimento cultural e social do Brasil.<\/p>\n<p><strong>Os n\u00fameros citados s\u00e3o para se comemorar, mas vemos que, no caso do cinema, boa parte desses n\u00fameros, seja de espectadores nas salas ou de renda em bilheterias, se concentra em\u00a0 blockbusters americanos e nas com\u00e9dias brasileiras.<\/strong><br \/>\nEu faria a seguinte relativiza\u00e7\u00e3o nesse racioc\u00ednio. A pol\u00edtica p\u00fablica est\u00e1 organizada da seguinte maneira. Este foi o pacto feito entre a sociedade brasileira, o parlamento, os agentes do setor audiovisual. Cabe ao estado regular, fiscalizar o mercado e estimular o desenvolvimento do setor audiovisual. Cabe aos agentes econ\u00f4micos empreender, abrir salas de cinema,\u00a0 abrir opera\u00e7\u00e3o de TV paga, abrir canal de TV aberta,\u00a0 produzir filmes, decidir que filmes s\u00e3o feitos, que series s\u00e3o feitas. Nessa divis\u00e3o de trabalho, n\u00e3o cabe ao estado dizer que filmes devem ser feitos, que s\u00e9ries devem ser feitas, muito menos dizer o que cada um deve assistir. N\u00f3s temos um compromisso radical com a pluralidade do cinema e do audiovisual brasileiro. Isso significa dizer que nos interessam todos os filmes, todas as s\u00e9ries, filmes que falem com 50 mil, com 100 mil, com um milh\u00e3o, com cinco milh\u00f5es, todas as obras\u00a0 que falem com parcelas relevantes de brasileiros.\u00a0Voc\u00ea tem uma realidade no mercado cinematogr\u00e1fico\u00a0 mundial. O cinema se tornou um grande evento com o que a gente chama de box office das salas de cinema mundo afora. Um pequeno grupo de filmes que fazem bilheterias milion\u00e1rias, uma grande quantidade de filmes que vendem milhares de ingressos e no meio tem quase nada. O que isso significa? Significa uma mudan\u00e7a de h\u00e1bito na frequ\u00eancia da sala de cinema. Significa que o\u00a0 sujeito que decide ir \u00e0 sala de cinema est\u00e1 mais movido pelo grande evento que o lan\u00e7amento de um filme se tornou do que propriamente na frui\u00e7\u00e3o espec\u00edfica desse ou daquele filme. Isso que eu estou dizendo n\u00e3o \u00e9 a minha opini\u00e3o, \u00e9 uma constata\u00e7\u00e3o das mudan\u00e7as que ocorreram. Eu, de toda maneira, comemoro a ida de qualquer brasileiro para ir assistir a qualquer filme brasileiro, porque significa a retomada de um h\u00e1bito de frequentar a sala de cinema, significa o contato com\u00a0 a nossa cultura, seja qual for o perfil do filme, que foi decidido por determinado produtor, por um determinado criador. Ele \u00e9 livre para\u00a0 isso e porque significa que de alguma maneira est\u00e1 se fortalecendo essa ind\u00fastria. E mais\u00a0 ainda: com a lei da TV paga, todos esses\u00a0 filmes, todas essas s\u00e9ries de televis\u00e3o t\u00eam chegado \u00e0 TV paga. Hoje, esses 100 canais que\u00a0 mencionei, os que menos exibem conte\u00fados brasileiros, filmes,\u00a0 s\u00e9ries, exibem sete horas por semana, todas as semanas do ano, os que menos exibem, sendo que tem alguns desses\u00a0 canais que exibem tr\u00eas horas por dia e outros que\u00a0 exibem 12 horas por dia. Muito desse consumo passou a ser no ambiente dom\u00e9stico atrav\u00e9s da TV paga, atrav\u00e9s do servi\u00e7o de vido por demanda [VOD, do ingl\u00eas v\u00eddeo on demand], deixando para a sala de cinema o momento do evento.<\/p>\n<p><strong>Como a gente poderia pensar na possibilidade de revers\u00e3o em torno de uma realidade do cinema brasileiro. Muitos filmes n\u00e3o chegam \u00e0 sala de cinema ou se chegam ficam uma semana.<\/strong><br \/>\nA Ancine n\u00e3o se entende\u00a0 encarregada, respons\u00e1vel, n\u00e3o entende que a sociedade lhe deu um mandato para mudar os h\u00e1bitos da sociedade. Esse n\u00e3o \u00e9 papel de um \u00f3rg\u00e3o p\u00fablico. Mas tem medidas ativas que agente pode adotar e temos adotado para fortalecer a\u00a0 visibilidade\u00a0 de todos os filmes brasileiros. A gente tem hoje um mecanismo que \u00e9 um apoio \u00e0 comercializa\u00e7\u00e3o de filmes. Nesse mecanismo, a gente apoia com valores modestos o lan\u00e7amento de qualquer filme brasileiro que se apresente. Desde que ele seja veiculado em 10 salas, pelo menos, n\u00e3o simult\u00e2neas, a gente apoia com\u00a0 R$ 100 mil. Se for exibido em 10 salas ou mais, simultaneamente, recebe um apoio de R$ 200 mil\u00a0 para comercializa\u00e7\u00e3o, e se for exibido em 100 salas simult\u00e2neas ou mais, recebe R$ 500 mil.\u00a0 Esses filmes t\u00eam sido comprados pelas televis\u00f5es fechadas, todos eles, inclusive os mais pequenos, t\u00eam sido\u00a0 comprados pelos servi\u00e7os de v\u00eddeo por demanda, muitos deles t\u00eam sido exibidos na TV aberta,\u00a0 mas n\u00f3s entendemos que \u00e9 tamb\u00e9m importante a exibi\u00e7\u00e3o na sala de cinema, que n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica alternativa, mas tamb\u00e9m\u00a0 \u00e9 uma alternativa importante. Para apoiar essas exibi\u00e7\u00f5es, n\u00f3s\u00a0 constru\u00edmos essa linha de apoio \u00e0 comercializa\u00e7\u00e3o. Uma segunda coisa: n\u00f3s temos no Brasil\u00a0 a Cota de Tela. Toda a sala de cinema isolada \u00e9 obrigada a exibir no m\u00ednimo 28 dias\u00a0 de filmes brasileiros por ano. Um complexo cinematogr\u00e1fico de cinco salas deve exibir pelo menos 63 dias por sala, por ano. Isto tamb\u00e9m ajuda a refor\u00e7ar a presen\u00e7a do filme brasileiro. Um terceiro mecanismo \u00e9 o da diversidade de t\u00edtulos que\u00a0 um exibidor deve exibir. Esse exibidor tem que cumprir essa cota de tela m\u00ednima, n\u00e3o pode cumprir com um t\u00edtulo s\u00f3. Tem uma escala que vai at\u00e9 18\u00a0 t\u00edtulos, no m\u00ednimo, que deve ser observada pelos complexos.<\/p>\n<p><strong>Como est\u00e1 o processo de digitaliza\u00e7\u00e3o do parque exibidor?<\/strong><br \/>\nFizemos dois movimentos. Criamos uma desonera\u00e7\u00e3o para a moderniza\u00e7\u00e3o das salas. Toda e qualquer sala de cinema ao comprar um projetor digital, equipamento de som, poltrona ou fazer reforma na sua sala, tem uma desonera\u00e7\u00e3o que reduz em 30% o valor\u00a0 que seria necess\u00e1rio gastar para fazer aquela digitaliza\u00e7\u00e3o. Isso beneficiou enormemente e acelerou o processo de digitaliza\u00e7\u00e3o no Brasil. Segundo,\u00a0 a gente montou uma linha de cr\u00e9dito no BNDES que financiou a transi\u00e7\u00e3o de mil salas de cinema do anal\u00f3gico para o\u00a0 digital. Fizemos isso por que a nossa consigna era que nenhuma sala no Brasil poderia ser fechada por falta de\u00a0 digitaliza\u00e7\u00e3o. Hoje n\u00f3s temos 99,18% do parque\u00a0 de salas de cinema do Brasil j\u00e1 digitalizados, \u00e9 praticamente 100%. Voc\u00ea tem uma situa\u00e7\u00e3o residual de poucas salas de cinema que a gente imagina que em mais um ano, gra\u00e7as ao apoio que o Pr\u00eamio Adicional de Renda que a Ancine concede aos pequenos exibidores, n\u00f3s entendemos que em mais um ano isso vai estar resolvido. N\u00f3s estamos falando\u00a0 de digitaliza\u00e7\u00e3o no padr\u00e3o da ind\u00fastria, de projetor DCP. Ele \u00e9 padr\u00e3o profissional, ele \u00e9 superior ao 35mm.<\/p>\n<p><strong>As empresas de telefonia m\u00f3vel ainda est\u00e3o se posicionando contra o recolhimento da Condecine?<\/strong><br \/>\nAquilo ficou bem resolvido no in\u00edcio do ano.\u00a0 Houve uma a\u00e7\u00e3o que obteve uma liminar\u00a0 em primeira instancia, essa liminar foi ca\u00e7ada pelo presidente do Supremo Tribunal Federal, que proibiu a edi\u00e7\u00e3o\u00a0 de novas liminares at\u00e9 que o projeto transite em julgado, ou seja, o processo vai ter as sua tramita\u00e7\u00e3o, provavelmente vai chegar at\u00e9 o STF e s\u00f3 ent\u00e3o ter\u00e1 um efeito qualquer. A jurisprud\u00eancia aponta para a constitucionalidade da Condecine e pela legalidade\u00a0 do aumento que foi feito, na corre\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria que foi aplicada, tanto que as empresas\u00a0 de telefonia, compreendendo a import\u00e2ncia do mercado audiovisual e diante da decis\u00e3o do presidente do STF, pagaram a Condecine esse ano. A a\u00e7\u00e3o continua correndo, mas n\u00f3s temos muita seguran\u00e7a sobre o desfecho futuro.<\/p>\n<p><strong>A chegada do Netflix e outros servi\u00e7os de v\u00eddeos sob demanda amea\u00e7am a TV paga? Como se apresenta esse segmento hoje no Brasil?<\/strong><br \/>\nA chegada abre uma nova fronteira de expans\u00e3o dos servi\u00e7os de audiovisual, uma nova oportunidade para uma maior circula\u00e7\u00e3o dos filmes e das s\u00e9ries. Amplia a cauda longa da ind\u00fastria audiovisual e, portanto, \u00e9 muito bem vinda. No Brasil n\u00f3s temos algum problema porque h\u00e1 uma certa inseguran\u00e7a jur\u00eddica na presta\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o de v\u00eddeo por demanda, n\u00e3o h\u00e1 um marco regulat\u00f3rio ainda constitu\u00eddo, h\u00e1 dificuldade com a estrutura tribut\u00e1ria que por vezes dificulta a forma\u00e7\u00e3o de\u00a0 grandes cat\u00e1logos e isso precisa\u00a0 ser equacionado. Hoje voc\u00ea tem provedores de v\u00eddeos por demanda de v\u00e1rios tipos, desde locadoras que evolu\u00edram para ser prestador de v\u00eddeo por demanda at\u00e9 livrarias\u00a0 que evolu\u00edram para isso, fabricantes de tecnologias que evolu\u00edram para isso, operadoras\u00a0 de TV por assinatura que tamb\u00e9m evolu\u00edram nessa dire\u00e7\u00e3o, programadoras, distribuidoras de cinema. O perfil das empresas que\u00a0 prestam o servi\u00e7o \u00e9 variado, isso mostra que a\u00ed h\u00e1 uma fronteira\u00a0 de expans\u00e3o do servi\u00e7o muito relevante. A Ancine est\u00e1 atenta \u00e0 evolu\u00e7\u00e3o desse mercado e entende que o\u00a0 Brasil precisa constituir um marco regulat\u00f3rio que garanta tamb\u00e9m que nesse servi\u00e7o haja filmes brasileiros, s\u00e9rie brasileiras, que eles recolham impostos no Brasil, que eles contribuam para o desenvolvimento do audiovisual brasileiro, que concorram em condi\u00e7\u00f5es de isonomia\u00a0 com os outros\u00a0 servi\u00e7os audiovisuais, mas que, sobretudo, preserve o direito do cidad\u00e3o de\u00a0 consumir obras audiovisuais na hora que ele quiser, do jeito que quiser, por qualquer servi\u00e7o que quiser.<\/p>\n<p><strong>O Sr., ligado ao governo anterior, permanece no cargo. Como tem sido o relacionamento com o novo ministro da Cultura, Marcelo Calero, e o secret\u00e1rio Nacional do Audiovisual, Alfredo Bertini?<\/strong><br \/>\nEu exer\u00e7o o mandato porque fui indicado pelo presidente da republica \u00e0 \u00e9poca, pela presidente, porque fui aprovado pelo Senado Federal, considerado capaz no exerc\u00edcio dessa fun\u00e7\u00e3o. Minha fun\u00e7\u00e3o \u00e9 uma fun\u00e7\u00e3o de estado. A ag\u00eancia \u00e9 uma agencia reguladora e de desenvolvimento do setor de audiovisual. Eu tenho tido um bom relacionamento com o atual governo federal, o ministro tem tido um trato correto com a Ag\u00eancia Nacional e comigo pessoalmente. O presidente Temer,\u00a0 como outros presidentes da Rep\u00fablica,\u00a0 tem prestigiado o setor audiovisual. Anunciou recentemente a renova\u00e7\u00e3o dos incentivos por mais cinco anos\u00a0 e esse \u00e9 um gesto consistente que aponta para seu compromisso para\u00a0 com o setor, compromisso que foi tamb\u00e9m do presidente Itamar,\u00a0 do presidente Fernando Henrique, do presidente Lula e da presidenta Dilma. O governo federal reconhece que esse setor \u00e9 um setor que segue crescendo, apesar da crise, entrega bons resultados ao pa\u00eds, tanto do\u00a0 ponto de vista econ\u00f4mico quanto do ponto de vista cultural e que as coisas\u00a0 que funcionam bem devem ser preservadas. \u00c9 assim que eu tenho visto a condutado governo federal em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Ancine, em rela\u00e7\u00e3o a mim, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pol\u00edtica de cinema e audiovisual, que \u00e9 uma politica de estado. N\u00f3s temos um Plano de Diretrizes e Metas,\u00a0 que foi aprovado em 2012 pelo Conselho Superior do Cinema, que \u00e9 um plano para 10 anos, pactuado com todos os setores da atividade econ\u00f4mica do audiovisual. N\u00e3o \u00e9 pouco, porque significa pegar setores que t\u00eam conflitos entre si,\u00a0 e esses setores\u00a0 serem capazes de\u00a0 transcender os conflitos para pactuar um rumo geral para a ind\u00fastria.<\/p>\n<div class='cow_johnson' style='padding:15px;margin-bottom:15px;float:left;margin-right:15px;width:640px;color:#666666!important;font-family:\"Segoe UI\";font-size:14px!important;line-height:16px!important;background:#FFFFFF;'><strong>Leia tamb\u00e9m:\u00a0<\/strong><span style=\"color: #222222;\"><!-- relpost-thumb-wrapper --><div class=\"relpost-thumb-wrapper\"><!-- filter-class --><div class=\"relpost-thumb-container\"><style>.relpost-block-single-image, .relpost-post-image { margin-bottom: 10px; }<\/style><h2>Leia tamb\u00e9m:<\/h2><div style=\"clear: both\"><\/div><div style=\"clear: both\"><\/div><!-- relpost-block-container --><div class=\"relpost-block-container relpost-block-column-layout\" style=\"--relposth-columns: 3;--relposth-columns_t: 2; --relposth-columns_m: 2\"><a href=\"https:\/\/faustojunior.com\/blog\/habilitados-do-prodav-3\/\"class=\"relpost-block-single\" ><div class=\"relpost-custom-block-single\"><div class=\"relpost-block-single-image rpt-lazyload\" aria-hidden=\"true\" role=\"img\" data-bg=\"https:\/\/faustojunior.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/brasil-todas-as-telas-155x96.jpg\" style=\"background: transparent no-repeat scroll 0% 0%; 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