{"id":5064,"date":"2017-02-12T18:41:01","date_gmt":"2017-02-12T21:41:01","guid":{"rendered":"http:\/\/faustojunior.com\/blog\/?p=5064"},"modified":"2017-02-13T10:48:32","modified_gmt":"2017-02-13T13:48:32","slug":"odisseia-do-cinema-brasileiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/faustojunior.com\/blog\/odisseia-do-cinema-brasileiro\/","title":{"rendered":"Odisseia do Cinema Brasileiro"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Entrevista do escritor franc\u00eas Laurent Desbois ao jornalista Adalberto Meireles sobre o livro A Odisseia do Cinema Brasileiro. Publicada no jornal A Tarde em 11 fev 2017.<br \/>\n<a href=\"http:\/\/faustojunior.com\/arquivos\/a-tarde-laurent-desbois-odisseia-cinema.pdf\" target=\"_blank\">Veja vers\u00e3o em PDF<\/a>.<\/p>\n<hr \/>\n<h2 style=\"text-align: center;\">\u201cO Cinema do Brasil \u00e9 sempre um recome\u00e7o&#8221;<\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/faustojunior.com\/arquivos\/a-tarde-laurent-desbois-odisseia-cinema.pdf\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-5074 size-full\" src=\"https:\/\/faustojunior.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/odisseia-cinema-brasileiro-th.jpg\" width=\"100\" height=\"184\" \/><\/a>Laurent Desbois conta que quando chegou ao Brasil pela primeira vez, em 1996, quatro filmes o interessaram muito: <em>Tieta do Agreste<\/em>, de Carlos Diegues, <em>Quem Matou Pixote<\/em>, de Jos\u00e9 Joffily, <em>O Judeu<\/em>, de Jom Tob Azulay, e <em>Terra Estrangeira<\/em>, de Walter Salles e Daniela Thomas. Desde ent\u00e3o, n\u00e3o parou mais de ver filmes brasileiros. Serge Toubiana, ent\u00e3o diretor do\u00a0<em>Cahiers du Cin\u00e9ma<\/em>, o convidou para ser correspondente da revista. De 96 a 2001, e a partir de ent\u00e3o, acumulou muita informa\u00e7\u00e3o. O resultado est\u00e1 em <em>A Odisseia do Cinema Brasileiro &#8211; Da Atl\u00e2ntida a Cidade de Deus<\/em>, publicado na Fran\u00e7a em dois volumes em 2010, que a Companhia das Letras lan\u00e7a agora no Brasil. \u00c9 o olhar de um estrangeiro sobre o cinema brasileiro. E que olhar! Desbois n\u00e3o deixa de mergulhar nos prim\u00f3rdios, quando Afonso Segretto fez as primeiras imagens a bordo do navio franc\u00eas Br\u00e9sil, em 1898, na Ba\u00eda de Guanabara, mas concentra-se no per\u00edodo descrito no subt\u00edtulo com um enfoque profundo na chanchada, Cinema Novo,Tropicalismo, Cinema Marginal e na Retomada. Mas nada que entedie o leitor. Ao longo de 574 p\u00e1ginas ele percorre a hist\u00f3ria misteriosa e enigm\u00e1tica do cinema pelo qual se apaixonou. A seguir, trechos da entrevista com o autor.<\/p>\n<div class='cow_johnson' style='padding:15px;margin-bottom:15px;float:left;margin-right:15px;width:640px;color:#666666!important;font-family:\"Segoe UI\";font-size:14px!important;line-height:18px!important;background:#FFFFFF;'><strong><br \/>\nA Odisseia do Cinema Brasileiro<\/strong><\/p>\n<hr \/>\n<p><strong><a href=\"http:\/\/amzn.to\/2kIfLNF\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-5078 size-medium\" src=\"https:\/\/faustojunior.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/odisseia-cinema-brasileiro-livro-200x300.jpg\" width=\"200\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/faustojunior.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/odisseia-cinema-brasileiro-livro-200x300.jpg 200w, https:\/\/faustojunior.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/odisseia-cinema-brasileiro-livro.jpg 333w\" sizes=\"auto, (max-width: 200px) 100vw, 200px\" \/><\/a>Autor:<\/strong>\u00a0Laurent Desbois<\/p>\n<p><strong>N\u00ba de p\u00e1ginas:<\/strong>\u00a0574<\/p>\n<p><strong>Editora:<\/strong>\u00a0Companhia das Letras<\/p>\n<p><strong>Edi\u00e7\u00e3o:<\/strong> 1\u00aa (2016)<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/amzn.to\/2kIfLNF\" target=\"_blank\"><strong>Veja \u00edndice e 1\u00ba cap\u00edtulo gratuitamente<\/strong><\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/amzn.to\/2kIfLNF\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-4935\" src=\"https:\/\/faustojunior.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/bot_compre-ja.png\" width=\"150\" height=\"60\" \/><\/a><\/p>\n<p><\/div><div style=\"clear:both;\"><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>\u00c9 um t\u00edtulo que nos conduz \u00e0 mitologia grega. Fale um pouco sobre isso. <\/strong><br \/>\nTem 12 cap\u00edtulos como os 12 cantos da Odisseia [poema \u00e9pico de Homero]. Essa coisa mitol\u00f3gica \u00e9 porque eu tenho paix\u00e3o pelas culturas latina e grega. Achei que combinava muito bem, essa coisa de Odisseia, porque o cinema brasileiro nasceu num barco, num navio. E tamb\u00e9m depois esses t\u00edtulos m\u00e1gicos, Continente Perdido&#8230; Atl\u00e2ntida, o filme Cidade de Deus. Tinha alguma coisa assim para usar no livro, essa coisa irracional, um pouco m\u00edtica, achei que combinava muito bem com o cinema do cineasta de <em>Deus e o Diabo na Terra do Sol<\/em>. O t\u00edtulo da primeira vers\u00e3o em franc\u00eas era <em>Os Sonhos de \u00cdcaro<\/em>, chegava muito perto e ca\u00eda, e depois, com a Retomada, <em>O Lamento da F\u00eanix<\/em>. E na \u00e9poca do Collor de Mello, que tudo parou, teve a morte do cinema, durante dois anos, um per\u00edodo em que quase tudo morre. Ent\u00e3o, toda essa aproxima\u00e7\u00e3o com a mitologia grega combinava com o projeto. Essa hist\u00f3ria um pouco misteriosa, enigm\u00e1tica do cinema brasileiro.<\/p>\n<p><strong>Um recorte cobrindo cerca de 60 anos do cinema brasileiro, mas o livro acaba se estendendo aos prim\u00f3rdios, \u00e0s primeiras imagens feitas no Brasil. <\/strong><br \/>\nN\u00e3o dava para falar da Atl\u00e2ntida sem falar de todos os projetos, porque na verdade a hist\u00f3ria do cinema brasileiro \u00e9 um eterno retorno. Est\u00e3o sempre construindo,\u00a0reconstruindo. Ent\u00e3o, ao falar da Atl\u00e2ntida, tinha que falar que sempre teve sonhos assim, a Atl\u00e2ntida n\u00e3o nasceu do nada. A hist\u00f3ria do cinema brasileiro at\u00e9 hoje \u00e9 sempre um recome\u00e7o, uma reconstru\u00e7\u00e3o. O que aconteceu nos anos 20 aconteceu ainda agora. Os ciclos de cinema em Pernambuco, na Bahia, sempre tiveram pioneiros tentando inventar, muitas vezes sem saber, reinventar uma linguagem do cinema.<\/p>\n<blockquote>\n<h3><span style=\"color: #ff0000;\">Os ciclos de cinema em Pernambuco, na Bahia, sempre tiveram pioneiros tentando inventar<\/span><\/h3>\n<\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>H\u00e1 uma curiosidade em torno de que o Brasil nunca ganhou um Oscar; apenas uma Palma de Ouro com <em>O Pagador de Promessas<\/em>, em 1962. No livro, voc\u00ea aborda quest\u00f5es concernentes tomando como exemplo <em>Orfeu Negro<\/em> [ou <em>Orfeu do Carnaval<\/em>, 1959], que ganhou os dois pr\u00eamios. Acha que a cr\u00edtica menosprezou o filme? <\/strong><br \/>\nAqui no Brasil, porque teve uma coisa muito ruim (\u00e9 o \u00fanico filme na hist\u00f3ria que ganhou todos os pr\u00eamios importantes: Cannes, Berlim, Moscou, o Golden Globe, Nova York, Oscar), na verdade, sempre concorreu com uma bandeira francesa, mas \u00e9 um filme franco-brasileiro. Mas todo o elenco \u00e9 negro, brasileiro (s\u00f3 a atriz principal, Marpessa Dawn), mas todo o resto: Breno Mello, Lea Garcia, Cartola, que aparece. Os atores do filme s\u00e3o negros brasileiros. Lea Garcia \u00e9 uma das melhores atrizes do Brasil, que fazia parte do Teatro Experimental do Negro. A m\u00fasica de Tom Jobim e Vinicius de Moraes. Um filme que, como explico no livro, est\u00e1 no cruzamento de muitos movimentos. Nouvelle Vague, Cinema Novo,Bossa Nova. Esse filme que criou essa imagem m\u00edtica e linda da Cidade Maravilhosa.Isso virou depois folcl\u00f3rico, mas no momento do filme n\u00e3o era. \u00c9 um filme que tem uma alma brasileira, porque \u00e9 uma declara\u00e7\u00e3o de amor de Marcel Camus para o Brasil. Mas o filme sempre concorreu na bandeira francesa. E isso n\u00e3o foi uma coisa boa. E tamb\u00e9m como est\u00e1vamos na \u00e9poca da constru\u00e7\u00e3o de Bras\u00edlia, um Brasil que queria ser mais branco do que negro, a imagem do filme feito na favela, todo mundo era negro, a classe m\u00e9dia e a elite branca n\u00e3o queriam exportar essa ideia do Rio. Mas tem muitas raz\u00f5es para o fato do filme n\u00e3o ter muito boas criticas aqui.<\/p>\n<p><strong>A trajet\u00f3ria critica dele se parece um pouco com a de <em>O Pagador de Promessas<\/em>, que tamb\u00e9m foi alijado pelo pessoal do Cinema Novo. <\/strong><br \/>\nFoi muito importante a Palma de Ouro. <em>O Pagador de Promessas<\/em> era um filme na tradi\u00e7\u00e3o dos filmes da Vera Cruz, mas foi muito importante para desenvolver o sucesso do Cinema Novo fora. N\u00e3o era um filme do Cinema Novo, mas foi um filme que ajudou muito o movimento do Cinema Novo fora. O Cinema Novo nunca reconheceu porque era um filme de Anselmo Duarte, uma estrela da Vera Cruz. Tinha todas\u00a0as musas e musos do Cinema Novo. Othon Bastos, Norma Bengell, Geraldo Del Rei,Ant\u00f4nio Pitanga. Todos os atores que v\u00e3o fazer depois os filmes de Glauber Rocha e todo mundo do Cinema Novo.<\/p>\n<blockquote>\n<h3><span style=\"color: #ff0000;\">O Pagador de Promessas era da Vera Cruz, mas foi importante para o sucesso do Cinema Novo fora<\/span><\/h3>\n<\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>No livro voc\u00ea faz uma revis\u00e3o critica n\u00e3o somente da obra de Camus, mas de outros diretores, como Carlos Hugo Christensen e Walter Hugo Khoury. Existe muito para ser atualizado, revisto ou reavaliado na hist\u00f3ria do cinema brasileiro? <\/strong><br \/>\nAcho que sim, em todas as cinematografias. Estou preparando agora um dicion\u00e1rio sobre a segunda chance\u00a0de muitos para uma editora francesa. S\u00e3o filmes que na \u00e9poca n\u00e3o fizeram sucesso ou foram subestimados. Acho que \u00e9 uma coisa do cinema mesmo. Porque muitos cineastas, muitos filmes, 30, 40, 50 anos depois voc\u00ea descobre, e no cinema brasileiro voc\u00ea sempre teve problema de divulga\u00e7\u00e3o, sempre cineastas fazendo obras-primas que n\u00e3o tiveram muita divulga\u00e7\u00e3o. Cristensen e Khoury s\u00e3o cineastas de alto n\u00edvel e \u00e9 mais f\u00e1cil ver os filmes deles. Para mim foi f\u00e1cil ter acesso.Mas com certeza tem outros que n\u00e3o conhe\u00e7o.<\/p>\n<p><strong>A gente tem discutido cada vez mais o cinema brasileiro e algumas fases n\u00e3o muito conhecidas do p\u00fablico.<\/strong><br \/>\nNo cap\u00edtulo 7 eu falo muito do cinema marginal. \u00c9 uma \u00e9poca muito interessante do cinema brasileiro, com filmes com uma linguagem original, umas tem\u00e1ticas originais e muito fortes, onde esses cineastas de forma aleg\u00f3rica exploram as esferas da sociedade brasileira. \u00c9 uma \u00e9poca interessante de filmes como <em>O Bandido da Luz Vermelha<\/em>, um filme original, com uma linguagem diferente,uma \u00e9poca muito importante, com Z\u00e9 do Caix\u00e3o, o cinema de terror brasileiro, e depois voc\u00ea vai ter o cinema Terrir com Ivan Cardoso. Tem muita criatividade. Um cinema que se fez sem dinheiro, que depois vai ter um lado da pornochanchada, um lado er\u00f3tico, mas um cinema muito interessante e espec\u00edfico, porque tem uma coisa genuinamente brasileira.<\/p>\n<p><strong>Da fase da Retomada para c\u00e1 o que acha fundamental? Qual a sua opini\u00e3o sobre o cinema que se produz hoje no Brasil? <\/strong><br \/>\nUma Retomada de 15 anos, que come\u00e7ou em 1994, 95, com <em>Alma Cors\u00e1ria<\/em> (Carlos Reichenbach) e Carlota Joaquina (Carla Camurati) e at\u00e9 2010, com <em>Tropa de Elite 2<\/em> sempre se falava na Retomada. Uma Retomada j\u00e1 entrando na adolesc\u00eancia, mais de 15 anos, teve obras que marcaram. <em>Cidade de Deus, Tropa de Elite<\/em>, mas n\u00e3o teve muita coisa marcante internacionalmente. Teve alguns filmes que fizeram sucesso, <em>Que Horas Ela Volta?, Aquarius<\/em> fez muito sucesso na Fran\u00e7a. Foi o Brasil que lan\u00e7ou a Retomada, que come\u00e7ou melhor na Am\u00e9rica do Sul, mas depois teve outras filmografias,outros cineastas que sa\u00edram mais, outros pa\u00edses da Am\u00e9rica do Sul. A Retomada brasileira n\u00e3o deu tudo que dava para esperar. No final do s\u00e9culo 20, os cineastas brasileiros, por exemplo, Walter Salles, que tem um talento excepcional, n\u00e3o fez o que ele poderia ter feito. Fernando Meirelles tamb\u00e9m, Jos\u00e9 Padilha agora est\u00e1 fazendo filmes nos Estados Unidos. Vejo isso pela concorr\u00eancia um pouco da televis\u00e3o aqui no Brasil. A teledramaturgia \u00e9 t\u00e3o importante e de um n\u00edvel t\u00e3o bom que isso n\u00e3o facilita.<\/p>\n<div class='cow_johnson' style='padding:15px;margin-bottom:15px;float:left;margin-right:15px;width:640px;color:#666666!important;font-family:\"Segoe UI\";font-size:14px!important;line-height:16px!important;background:#FFFFFF;'><strong>Leia tamb\u00e9m:\u00a0<\/strong><span style=\"color: #222222;\"><!-- relpost-thumb-wrapper --><div class=\"relpost-thumb-wrapper\"><!-- filter-class --><div class=\"relpost-thumb-container\"><style>.relpost-block-single-image, .relpost-post-image { margin-bottom: 10px; }<\/style><h2>Leia tamb\u00e9m:<\/h2><div style=\"clear: both\"><\/div><div style=\"clear: both\"><\/div><!-- relpost-block-container --><div class=\"relpost-block-container relpost-block-column-layout\" style=\"--relposth-columns: 3;--relposth-columns_t: 2; --relposth-columns_m: 2\"><a href=\"https:\/\/faustojunior.com\/blog\/historia-e-audiovisual\/\"class=\"relpost-block-single\" ><div class=\"relpost-custom-block-single\"><div class=\"relpost-block-single-image rpt-lazyload\" aria-hidden=\"true\" role=\"img\" data-bg=\"https:\/\/faustojunior.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/historia-audiovisual-155x96.jpg\" style=\"background: transparent no-repeat scroll 0% 0%; 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