{"id":5518,"date":"2017-09-23T13:18:56","date_gmt":"2017-09-23T16:18:56","guid":{"rendered":"http:\/\/faustojunior.com\/blog\/?p=5518"},"modified":"2017-09-23T13:52:53","modified_gmt":"2017-09-23T16:52:53","slug":"entrevista-edgard-navarro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/faustojunior.com\/blog\/entrevista-edgard-navarro\/","title":{"rendered":"Entrevista: Edgard Navarro"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Entrevista com o cineasta Edgard Navarro publicada no jornal A Tarde, capa do Caderno 2+, em <strong>21\/09\/2017<\/strong>, em que fala sobre seu filme <em>Abaixo a Gravidade<\/em>, que vai encerrar o 50\u00ba Festival de Cinema de Bras\u00edlia neste domingo.<br \/>\n<a href=\"http:\/\/faustojunior.com\/arquivos\/a-tarde-abaixo-a-gravidade.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Veja vers\u00e3o em PDF.<\/a><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: left;\"><strong>ENTREVISTA Edgar Navarro, diretor de cinema<\/strong><\/p>\n<h3 style=\"text-align: center;\">\u201cSobre n\u00e3o ser compreendido, esse risco sempre esteve em meus filmes&#8221;<\/h3>\n<p>RAFAEL CARVALHO<br \/>\nEspecial para A TARDE<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/faustojunior.com\/arquivos\/a-tarde-abaixo-a-gravidade.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-5529 size-full\" src=\"https:\/\/faustojunior.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/a_tarde_edgard-navarro.jpg\" alt=\"\" width=\"100\" height=\"185\" \/><\/a>A estreia tardia de Edgard Navarro\u00a0no longa-metragem, depois\u00a0de longa carreira experimentando e provocando com\u00a0outros formatos, aconteceu no\u00a0Festival de Bras\u00edlia, em 2005, quando <em>Eu Me Lembro<\/em> venceu\u00a0seis trof\u00e9us Candango, incluindo\u00a0o de Melhor Filme. Doze\u00a0anos depois, ele voltar\u00e1 ao festival,\u00a0agora para a festa de encerramento,\u00a0pr\u00f3ximo domingo,\u00a0para exibir o in\u00e9dito <em>Abaixo\u00a0a Gravidade<\/em>. Se a verve navarriana\u00a0sempre esteve muito\u00a0associada \u00e0 irrever\u00eancia e \u00e0\u00a0anarquia, \u00e9 muito curioso perceber\u00a0que o novo filme aponta\u00a0para certa placidez, na busca\u00a0por uma transcend\u00eancia da\u00a0quietude e da paz de esp\u00edrito,\u00a0em meio a um mundo ca\u00f3tico.\u00a0E essa \u00e9 a brecha que o filme\u00a0aproveita para tamb\u00e9m n\u00e3o se\u00a0eximir do del\u00edrio de retratar\u00a0uma Salvador cheia de contradi\u00e7\u00f5es,\u00a0que se refletem nas\u00a0neuras e crises dos personagens.\u00a0Na trama, Ben\u00e9 (Everaldo\u00a0Pontes) \u00e9 um senhor que\u00a0vive recluso no interior, mais\u00a0especificamente no Vale do Cap\u00e3o,\u00a0fruindo uma vida zen-budista\u00a0e de bem com o entorno\u00a0natural. Encanta-se pela jovem\u00a0Let\u00edcia (Rita Carelli) e se v\u00ea tentado\u00a0a seguir os passos dela,\u00a0que levam \u00e0 capital baiana. E\u00a0esbarra em uma s\u00e9rie de personagens\u00a0e em nas pr\u00f3prias\u00a0crises. Navarro chega em Bras\u00edlia\u00a0para coroar a presen\u00e7a\u00a0marcante de filmes baianos\u00a0apresentados no festival. O diretor\u00a0tamb\u00e9m conversou com\u00a0A TARDE sobre um novo filme\u00a0que est\u00e1 prestes a nascer.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/4RR_wkdZ4IY?rel=0\" width=\"640\" height=\"360\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p><strong>O Festival de Bras\u00edlia te consagrou\u00a0em anos anteriores.\u00a0<em>Porta de Fogo, Lin e Katazan,\u00a0Eu me Lembro<\/em>, todos foram\u00a0<\/strong><strong>premiados l\u00e1. Como \u00e9 voltar\u00a0este ano?<\/strong><br \/>\nSer\u00e1 uma excelente oportunidade\u00a0para estrear o filme,\u00a0term\u00f4metro sens\u00edvel e\u00a0preciso, a plateia do Cine\u00a0Bras\u00edlia \u2013 exigente e amante\u00a0do bom cinema. De resto,\u00a0uma emo\u00e7\u00e3o tranquila de\u00a0quem j\u00e1 deu muitas voltas\u00a0nessa maratona e sabe que\u00a0est\u00e1 na hora de passar o\u00a0bast\u00e3o para a vit\u00f3ria do coletivo.\u00a0E fora Temer!<\/p>\n<p><strong>H\u00e1 quanto tempo voc\u00ea vem\u00a0preparando <em>Abaixo a Gravidade<\/em>\u00a0e o que esperar dele?<\/strong><br \/>\nA ideia do roteiro pintou\u00a0quando eu estava finalizando\u00a0O Homem que N\u00e3o Dormia,\u00a0em 2011; s\u00e3o portanto\u00a0seis anos de gesta\u00e7\u00e3o at\u00e9 o\u00a0parto. Trata-se de um filme\u00a0da maturidade, quando as\u00a0correntes impacientes e revoltas\u00a0das cascatas j\u00e1 procuram\u00a0a calma do remanso,\u00a0antes de se fundir ao mar&#8230;<br \/>\nN\u00e3o espero que todos\u00a0aplaudam esse filme de outono,\u00a0mas estou certo de\u00a0que ele encontrar\u00e1 admiradores,\u00a0porque traz a vivacidade\u00a0e sinceridade de\u00a0sempre&#8230; E fora Temer!<\/p>\n<p><strong>Como voc\u00ea enxerga <em>Abaixo a\u00a0Gravidade<\/em> dentro de sua filmografia?\u00a0Que Edgard Navarro\u00a0\u00e9 esse que fez esse filme?<\/strong><br \/>\nSou um homem mais sereno\u00a0e consciente do potencial do\u00a0cinema e da import\u00e2ncia dele\u00a0na economia do mundo;\u00a0sei tamb\u00e9m que as gera\u00e7\u00f5es\u00a0atuais t\u00eam aprendido a lidar\u00a0melhor com as novas linguagens\u00a0e sintaxes; mais do que\u00a0os cineastas do passado (e\u00a0acho que, como cobra, s\u00f3\u00a0agora estou me livrando dessa\u00a0casca), os cinemeiros de\u00a0hoje, raposas do s\u00e9culo XXI,\u00a0ir\u00e3o dar o esperado zignal no\u00a0audiovisual capitalista, fazendo-o provar do pr\u00f3prio\u00a0veneno; n\u00e3o sei como isto se\u00a0dar\u00e1, apenas sinto. Al\u00e9m do\u00a0mais, por conta da madureza,\u00a0\u201choje me sinto mais\u00a0forte, mais feliz, quem sabe,\u00a0e s\u00f3 levo a certeza de que\u00a0muito pouco sei, ou nada\u00a0sei&#8230;\u201d. Mas fora Temer!<\/p>\n<p><strong><em><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-5532\" src=\"https:\/\/faustojunior.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/abaixo-a-gravidade-cartaz.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"450\" srcset=\"https:\/\/faustojunior.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/abaixo-a-gravidade-cartaz.jpg 300w, https:\/\/faustojunior.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/abaixo-a-gravidade-cartaz-200x300.jpg 200w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>Abaixo a Gravidade<\/em> \u00e9 uma frase\u00a0dita pelo protagonista de\u00a0seu filme <em>SuperOutro<\/em>. Existe\u00a0uma rela\u00e7\u00e3o entre os dois ou\u00a0se trata de um intercurso entre\u00a0seus trabalhos?<\/strong><br \/>\nAmbas as coisas. Se pensarmos\u00a0na ideia de leveza, de\u00a0alegria louca e irrespons\u00e1vel\u00a0pelas quais \u2013 gra\u00e7as a deus\u00a0\u2013 sempre fui assolado, ent\u00e3o\u00a0podemos falar de uma rela\u00e7\u00e3o\u00a0bem pr\u00f3xima entre os\u00a0dois filmes; permanece o desejo\u00a0quase premente de\u00a0voar&#8230; As narrativas, entretanto,\u00a0guardam claras diferen\u00e7as entre si;\u00a0a loucura n\u00e3o\u00a0est\u00e1 na personagem central,\u00a0mas na realidade que o circunda\u00a0e o empurra para o\u00a0lugar da escolha entre a extrema\u00a0compaix\u00e3o e o transe\u00a0\u2013 exo ou esot\u00e9rico; ou, se\u00a0olharmos bem, sem escolha\u00a0poss\u00edvel \u2013 pelo menos nesse\u00a0mundinho de tr\u00eas dimens\u00f5es&#8230;\u00a0e a\u00ed os dois filmes\u00a0novamente se encontram:\u00a0no desv\u00e3o solit\u00e1rio do absurdo,\u00a0da bipolaridade, da\u00a0macumba e da \u00f3pera \u2013 Mahler\u00a0versus Exu na disputa do\u00a0or\u00ed do Pensador de Rodin\u00a0encarnado num catador de\u00a0lixo: Mierre!<\/p>\n<p><strong>Existe em Mierre uma vontade\u00a0de voar tamb\u00e9m, como havia\u00a0no personagem de <em>SuperOutro<\/em>,\u00a0n\u00e3o? A\u00ed essa liga\u00e7\u00e3o \u00e9\u00a0<\/strong><strong>maior?<\/strong><br \/>\nSim, sem d\u00favida. Acresce\u00a0que aqui nosso Mierre \u00e9 sequelado\u00a0por um trauma infantil\u00a0colocado por Galego,\u00a0h\u00e1 um suic\u00eddio em curso,\u00a0sim. Como no\u00a0<em>SuperOutro<\/em>,\u00a0disfar\u00e7ado em desejo de\u00a0voar&#8230;\u00a0 Mas ainda h\u00e1 um\u00a0acordo t\u00e1cito com a realidade,\u00a0uma estrat\u00e9gia de sobreviver,\u00a0seja catando coisas\u00a0no lixo, seja bancando o homem-est\u00e1tua-pensador&#8230;\u00a0afinal, libertado pelo Exu\u00a0que \u00e9 guia dele, descoberto\u00a0com a ajuda de Ben\u00e9.<\/p>\n<p><strong>Ali\u00e1s, Ben\u00e9 encarna uma dimens\u00e3o\u00a0religiosa-xam\u00e2nica-medicinal que re\u00fane as for\u00e7as\u00a0de cura do Exu junto com\u00a0a filosofia budista e ainda os\u00a0saberes populares. Mas ele\u00a0tamb\u00e9m entra em convuls\u00e3o\u00a0existencial, muito por conta\u00a0dos problemas de sa\u00fade.\u00a0Como\u00a0voc\u00ea idealizou esse personagem\u00a0em crise?<\/strong><br \/>\nA inspira\u00e7\u00e3o inicial pra construir\u00a0Ben\u00e9 foi ter bem perto\u00a0de mim o querido amigo\u00a0Luiz Paulino dos Santos, a\u00a0quem o filme \u00e9 dedicado;\u00a0nos \u00faltimos anos de vida\u00a0dele testemunhei a aspira\u00e7\u00e3o\u00a0de transcend\u00eancia, forjada\u00a0em anos de solid\u00e3o e\u00a0for\u00e7a de vontade, f\u00e9 e obstina\u00e7\u00e3o,\u00a0ser estremecida por\u00a0d\u00favidas atrozes de natureza\u00a0comezinha, simpl\u00f3ria; e ali\u00a0vi um espelho muito fiel do\u00a0que acontece comigo mesmo\u00a0e coma maioria daqueles\u00a0que aspiram \u00e0s alturas\u00a0espirituais; depois foram se\u00a0agregando outras caracter\u00edsticas\u00a0de pessoas diversas,\u00a0cujos tra\u00e7os pertenciam\u00a0\u00e0quele mesmo universo&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-5533\" src=\"https:\/\/faustojunior.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/abaixo-a-gravidade-1.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"427\" srcset=\"https:\/\/faustojunior.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/abaixo-a-gravidade-1.jpg 640w, https:\/\/faustojunior.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/abaixo-a-gravidade-1-300x200.jpg 300w, https:\/\/faustojunior.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/abaixo-a-gravidade-1-272x182.jpg 272w\" sizes=\"auto, (max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/p>\n<p><strong>J\u00e1 Eug\u00eanio\/ Maisselfe [personagem\u00a0de Bertrand Duarte] vive\u00a0uma dimens\u00e3o da crise de modo\u00a0mais lun\u00e1tico, mesmo que chegue\u00a0a um ponto de raz\u00e3o mais\u00a0ao fim do filme. Qual conex\u00e3o\u00a0voc\u00ea quis fazer inserindo esse\u00a0<\/strong><strong>personagem na trama?<\/strong><br \/>\nMaisselfe \u00e9 um homem\u00a0bem sucedido no mundo\u00a0dos homens, dos neg\u00f3cios,\u00a0mas completamente infeliz\u00a0diante de si mesmo; depois\u00a0de t\u00ea-lo concebido e batizado,\u00a0percebo que ele \u00e9 o\u00a0que eu pr\u00f3prio seria se n\u00e3o\u00a0tivesse me rebelado contra\u00a0o que minha fam\u00edlia (e o\u00a0\u2018sistema\u2019, de modo inequ\u00edvoco)\u00a0queria que eu fosse:\u00a0um homem bem colocado\u00a0socialmente, cumprindo\u00a0um papel na sociedade \u2013 de\u00a0marido, de pai, de homem\u00a0normal. Ali\u00e1s, h\u00e1 uma cita\u00e7\u00e3o\u00a0expl\u00edcita do Teorema,\u00a0de Pasolini, que ajuda o fruidor\u00a0a decifrar o enigma da\u00a0personagem; o artista fica\u00a0sendo Serguei Eisenstein!<\/p>\n<p><strong>Apesar de o filme conter uma\u00a0s\u00e9rie de signos e refer\u00eancias\u00a0que costumeiramente voc\u00ea\u00a0planta em seus filmes, em\u00a0<\/strong><strong><em>Abaixo a Gravidade<\/em> eles apontam\u00a0para muitos caminhos, e\u00a0a narrativa possui certa ousadia\u00a0na forma de conect\u00e1-las.\u00a0Qual o lugar do risco no seu\u00a0novo filme?<\/strong><br \/>\nAcho que voc\u00ea est\u00e1 falando\u00a0do risco de n\u00e3o ser compreendido\u00a0por todos os que\u00a0assistam ao filme; neste\u00a0sentido, o risco sempre esteve\u00a0presente em meus filmes;\u00a0acho que \u00e9 o lugar de\u00a0quem se prop\u00f5e a desvendar\u00a0mist\u00e9rios numa zona\u00a0mais ou menos obscura da\u00a0alma humana&#8230;<\/p>\n<p><strong>Assim como em <em>SuperOutro<\/em>, o\u00a0filme tamb\u00e9m volta a observar\u00a0uma Salvador contempor\u00e2nea,\u00a0cheia de contradi\u00e7\u00f5es e\u00a0mudan\u00e7as. Como voc\u00ea enxerga\u00a0a cidade hoje? Como voc\u00ea\u00a0quis retrat\u00e1-la no filme?<\/strong><br \/>\nJ\u00e1 na sinopse a gente enuncia:\u00a0armado apenas com as\u00a0asas da quimera, ele transita\u00a0pela fratura exposta de uma Salvador conflagrada \u2013 opul\u00eancia versus mis\u00e9ria,\u00a0escombros,\u00a0sordidez&#8230;\u00a0 O mote: o\u00a0desejo altivo de transcender\u00a0e derrotar a dor, a tristeza e\u00a0o esp\u00edrito de gravidade,\u00a0aquele que faz cair todas as\u00a0coisas, opondo-lhe leveza,\u00a0alegria, humor e liberdade.\u00a0Para cujo fim contar\u00e1 com a\u00a0ajuda de for\u00e7as c\u00f3smicas intang\u00edveis&#8230;\u00a0por exemplo:um\u00a0aster\u00f3ide peregrino que veio\u00a0dar um rol\u00ea na Bahia&#8230; ou\u00a0um Exu aplicado, capaz de\u00a0interromper insond\u00e1veis\u00a0conjecturas do Pensador de\u00a0Rodin&#8230; Laroy\u00ea, Exu!<\/p>\n<div id=\"attachment_5531\" style=\"width: 373px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-5531\" class=\"size-full wp-image-5531\" src=\"https:\/\/faustojunior.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/edgard-navarro-abaixo-a-gravidade.jpg\" alt=\"\" width=\"363\" height=\"352\" srcset=\"https:\/\/faustojunior.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/edgard-navarro-abaixo-a-gravidade.jpg 363w, https:\/\/faustojunior.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/edgard-navarro-abaixo-a-gravidade-300x291.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 363px) 100vw, 363px\" \/><p id=\"caption-attachment-5531\" class=\"wp-caption-text\">Navarro em a\u00e7\u00e3o no set de filmagem: irrever\u00eancia \u00e9 uma marca (foto: divulga\u00e7\u00e3o)<\/p><\/div>\n<p><strong>E essa figura de O Pensador, de\u00a0Rodin, \u00e9 um signo muito presente\u00a0no filme, e o personagem\u00a0de Bertrand chega a dizer\u00a0que \u00e9 \u201ca s\u00edntese do estado de\u00a0esp\u00edrito do homem moderno,\u00a0esmagado pelo peso de sua\u00a0busca racionalista\u201d. Voc\u00ea tamb\u00e9m\u00a0pensa dessa forma?<\/strong><br \/>\nSim: esta \u00e9 a viga mestra do\u00a0filme, no sentido filos\u00f3fico;\u00a0com todo o aprendizado da\u00a0obra, que remonta h\u00e1 tantos\u00a0s\u00e9culos, o ser humano, paradoxalmente\u00a0por mais que\u00a0se aproxime da compreens\u00e3o do mist\u00e9rio \u00faltimo da\u00a0exist\u00eancia, distancia-se mais\u00a0e mais da exist\u00eancia tranquila\u00a0e harmoniosa. Penso\u00a0que essa apreens\u00e3o ser\u00e1 s\u00fabita\u00a0como uma ilumina\u00e7\u00e3o\u00a0b\u00fadica \u2013 e est\u00e1 mais para o\u00a0transe ou o \u00eaxtase m\u00edstico\u00a0do que para o ac\u00famulo\u00a0de programas acad\u00eamicos e\u00a0hermen\u00eauticos.<\/p>\n<p><strong>Para voc\u00ea, que vem de outra\u00a0gera\u00e7\u00e3o (manteve rela\u00e7\u00e3o\u00a0com o cinema marginal, passou\u00a0pela fase do Super-8, da\u00a0<\/strong><strong>pel\u00edcula e agora pega a transi\u00e7\u00e3o\u00a0para o digital), como \u00e9\u00a0fazer cinema na Bahia hoje?\u00a0Quais as dificuldades?<\/strong><br \/>\nFazer cinema na Bahia sempre\u00a0exigiu uma postura de\u00a0resist\u00eancia por se tratar de\u00a0uma atividade mais custosa do que as demais formas de\u00a0arte, e por n\u00e3o termos um\u00a0retorno popular que tem, por\u00a0exemplo, a m\u00fasica. Sempre\u00a0nos vemos \u00e0s voltas com os\u00a0funis dos editais de verbas\u00a0p\u00fablicas a fundo perdido \u2013 ou\u00a0quase isso. Resulta que as pol\u00edticas\u00a0por tr\u00e1s da cultura assumem uma import\u00e2ncia\u00a0desproporcionada&#8230; os gestores\u00a0lidam com recursos parcos&#8230;\u00a0\u00a0o pr\u00f3prio minist\u00e9rio\u00a0quase seria extinto, n\u00e3o fosse\u00a0pela grita de uma falange\u00a0consciente da classe&#8230; O trabalho\u00a0que vinha sendo feito\u00a0no MinC, at\u00e9 o ileg\u00edtimo usurpar\u00a0o poder, come\u00e7ava a alavancar\u00a0um processo de produ\u00e7\u00e3o\u00a0pelo qual, creio, devemos\u00a0continuar lutando. De\u00a0modo que&#8230; Fora Temer!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 style=\"text-align: center;\">Mesmo a fase\u00a0serena de Navarro\u00a0pode ser an\u00e1rquica\u00a0e perturbadora<\/h4>\n<div class='cow_johnson' style='padding:15px;margin-bottom:15px;float:left;margin-right:15px;width:640px;color:#333333!important;font-family:\"Segoe UI\";font-size:14px!important;line-height:16px!important;background:#ed8a85;'>H\u00e1 muitos signos e elementos\u00a0amalgamados em <em>Abaixo a\u00a0Gravidade<\/em>. A maioria deles faz\u00a0parte de um imagin\u00e1rio que se\u00a0criou e se alimentou pela obra\u00a0pregressa de Edgard Navarro,\u00a0esse provocador incans\u00e1vel,\u00a0com filmes dos mais experimentais\u00a0aos de maturidade\u00a0transcendental.<\/p>\n<p>Outros s\u00e3o reflexo de uma\u00a0nova fase que o cineasta vive,\u00a0mais serena, como ele mesmo\u00a0diz. Por\u00e9m, certa placidez que\u00a0se encontra aqui n\u00e3o \u00e9 nunca\u00a0domesticada como forma de\u00a0entender e se colocar no mundo:\u00a0<em>Abaixo a Gravidade<\/em> \u00e9, tamb\u00e9m,\u00a0um filme sobre crises\u00a0atuais do homem moderno\u00a0cosmopolita.<\/p>\n<p>Filho tardio do cinema marginal\u00a0que transou outras ondas,\u00a0em outros tempos, ele encontra\u00a0agora em Ben\u00e9 (Everaldo\u00a0Pontes) um modo de\u00a0olhar para os arroubos da paix\u00e3o\u00a0ainda capazes de tomar de\u00a0assalto um pacato senhor e\u00a0transtorn\u00e1-lo, como nos deixa\u00a0transtornados o mundo ca\u00f3tico\u00a0representado na tela.<\/p>\n<p>Abaixo a Gravidade possui a\u00a0verve do del\u00edrio e do despaut\u00e9rio\u00a0(inclusive cinematogr\u00e1fico. Ao abusar dos efeitos especiais\u00a0e da pira\u00e7\u00e3o metaf\u00edsica,\u00a0t\u00e3o incomuns em um filme como esse),\u00a0moldada nesse novo\u00a0modo sereno de olhar o mundo,\u00a0mas sem deixar de lado o\u00a0car\u00e1ter desestabilizador que\u00a0faz parte da gram\u00e1tica navarriana.<\/p>\n<p>Rafael Carvalho<\/div><div style=\"clear:both;\"><\/div>\n<p style=\"text-align: center;\"><div class='cow_johnson' style='padding:15px;margin-bottom:15px;float:left;margin-right:15px;width:640px;color:#666666!important;font-family:\"Segoe UI\";font-size:14px!important;line-height:16px!important;background:#FFFFFF;'><strong>Leia tamb\u00e9m:\u00a0<\/strong><!-- relpost-thumb-wrapper --><div class=\"relpost-thumb-wrapper\"><!-- filter-class --><div class=\"relpost-thumb-container\"><style>.relpost-block-single-image, .relpost-post-image { margin-bottom: 10px; }<\/style><h2>Leia tamb\u00e9m:<\/h2><div style=\"clear: both\"><\/div><div style=\"clear: both\"><\/div><!-- relpost-block-container --><div class=\"relpost-block-container relpost-block-column-layout\" style=\"--relposth-columns: 3;--relposth-columns_t: 2; --relposth-columns_m: 2\"><a href=\"https:\/\/faustojunior.com\/blog\/cine-barato-a-serie\/\"class=\"relpost-block-single\" ><div class=\"relpost-custom-block-single\"><div class=\"relpost-block-single-image rpt-lazyload\" aria-hidden=\"true\" role=\"img\" data-bg=\"https:\/\/faustojunior.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/serie_cine-barato-155x96.gif\" style=\"background: transparent no-repeat scroll 0% 0%; width: 155px; height: 96px; aspect-ratio: 1\/1;\"><\/div><div class=\"relpost-block-single-text\"  style=\"height: 32px;font-family: Arial;  font-size: 12px;  color: #333333;\"><h2 class=\"relpost_card_title\">Cine Barato, a s\u00e9rie<\/h2><\/div><\/div><\/a><a href=\"https:\/\/faustojunior.com\/blog\/every-frame-a-painting\/\"class=\"relpost-block-single\" ><div class=\"relpost-custom-block-single\"><div class=\"relpost-block-single-image rpt-lazyload\" aria-hidden=\"true\" role=\"img\" data-bg=\"https:\/\/faustojunior.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/kurosawa_sanjuro-155x96.jpg\" style=\"background: transparent no-repeat scroll 0% 0%; width: 155px; height: 96px; aspect-ratio: 1\/1;\"><\/div><div class=\"relpost-block-single-text\"  style=\"height: 32px;font-family: Arial;  font-size: 12px;  color: #333333;\"><h2 class=\"relpost_card_title\">Every Frame a Painting<\/h2><\/div><\/div><\/a><a href=\"https:\/\/faustojunior.com\/blog\/filmes-de-dominio-publico\/\"class=\"relpost-block-single\" ><div class=\"relpost-custom-block-single\"><div class=\"relpost-block-single-image rpt-lazyload\" aria-hidden=\"true\" role=\"img\" data-bg=\"https:\/\/faustojunior.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/internet-archive-155x96.gif\" style=\"background: transparent no-repeat scroll 0% 0%; width: 155px; height: 96px; aspect-ratio: 1\/1;\"><\/div><div class=\"relpost-block-single-text\"  style=\"height: 32px;font-family: Arial;  font-size: 12px;  color: #333333;\"><h2 class=\"relpost_card_title\">Filmes de dominio p\u00fablico<\/h2><\/div><\/div><\/a><\/div><!-- close relpost-block-container --><div style=\"clear: both\"><\/div><\/div><!-- close filter class --><\/div><!-- close relpost-thumb-wrapper -->\u00a0<\/div><div style=\"clear:both;\"><\/div><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Entrevista com o cineasta Edgard Navarro publicada no jornal A Tarde, capa do [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":5535,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[149],"tags":[1024,267,394,274,726],"class_list":["post-5518","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cinema-2","tag-abaixo-a-gravidade","tag-edgard-navarro","tag-entrevista","tag-jornal-a-tarde","tag-rafael-carvalho"],"aioseo_notices":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/faustojunior.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5518","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/faustojunior.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/faustojunior.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/faustojunior.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/faustojunior.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5518"}],"version-history":[{"count":18,"href":"https:\/\/faustojunior.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5518\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5541,"href":"https:\/\/faustojunior.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5518\/revisions\/5541"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/faustojunior.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5535"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/faustojunior.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5518"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/faustojunior.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5518"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/faustojunior.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5518"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}