{"id":6164,"date":"2018-07-26T14:15:40","date_gmt":"2018-07-26T17:15:40","guid":{"rendered":"http:\/\/faustojunior.com\/blog\/?p=6164"},"modified":"2018-07-26T20:36:28","modified_gmt":"2018-07-26T23:36:28","slug":"salvador-nas-telas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/faustojunior.com\/blog\/salvador-nas-telas\/","title":{"rendered":"Salvador nas telas"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Neste domingo, 22 de julho, a revista Muito (suplemento do jornal A Tarde) publicou uma mat\u00e9ria sobre os efeitos das produ\u00e7\u00f5es audiovisuais no Centro Hist\u00f3rico de Salvador. Tendo como motiva\u00e7\u00e3o a atual\u00a0 novela das 21h da Globo, Segundo Sol, ambientada na capital baiana, s\u00e3o comentados outros exemplos de filmes e s\u00e9ries que tiveram a cidade como cen\u00e1rio, trazendo benef\u00edcios ao com\u00e9rcio local. Um caso que se encaixa no Turismo Cinematogr\u00e1fico ou Cineturismo.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/faustojunior.com\/blog\/category\/cineturismo-2\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Veja outros artigos sobre Cineturismo<\/strong><\/a>.<\/p>\n<hr \/>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-6170\" src=\"https:\/\/faustojunior.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/muito-salvador-nas-telas-capa.jpg\" alt=\"\" width=\"200\" height=\"239\" \/>Reportagem:\u00a0Daniel Oliveira<br \/>\nFotos: Raul Spinass\u00e9<\/p>\n<p>Acredite se quiser, mas h\u00e1 os que ignoram o Centro Hist\u00f3rico de Salvador, preferindo apenas\u00a0praias e shoppings. Mas ali se concentra a emblem\u00e1tica beleza da cidade, sintetizando hist\u00f3ria, arquitetura e uma exuberante vida popular. Coisa de cinema, como se diz, mas tamb\u00e9m de novelas, miniss\u00e9ries e videoclipes. O rep\u00f3rter Daniel Oliveira esteve l\u00e1 em espa\u00e7os que serviram de loca\u00e7\u00e3o para filmes, como <em>O Pagador de Promessas<\/em>, entre outros, e constatou os efeitos dessas produ\u00e7\u00f5es audiovisuais no cotidiano dos moradores, comerciantes e visitantes.<br \/>\nTeve gente que quis mudar nome de igreja porque o filme se referia a outro santo e h\u00e1 quem cedeu parte da casa para dar apoio \u00e0 equipe t\u00e9cnica das filmagens. Outro acha que \u00e9 a pessoa que mais ouviu no mundo a m\u00fasica do videoclipe de Michael Jackson. E d\u00e1 para imaginar o clima de goza\u00e7\u00e3o em cartaz atualmente no bairro do Santo Ant\u00f4nio por causa da novela <em>Segundo Sol<\/em>. N\u00e3o deixa de ser um filme a pr\u00f3pria cidade. Para uns, \u00e9 um drama; para outros, uma com\u00e9dia; mas pode ser muito bem Salvador-terror, Salvador-a\u00e7\u00e3o, Salvador-aventura, Salvador-porn\u00f4, Salvador-anima\u00e7\u00e3o. Sem contar que, protagonistas e figurantes ao mesmo tempo, sabemos que \u00e9 poss\u00edvel dizer que, como um romance, a vida de cada um daria um filme.<\/p>\n<hr \/>\n<h3 style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"d-block img-responsive aligncenter wp-image-6171 size-full\" src=\"https:\/\/faustojunior.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/muito-salvador-nas-telas1.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"381\" srcset=\"https:\/\/faustojunior.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/muito-salvador-nas-telas1.jpg 640w, https:\/\/faustojunior.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/muito-salvador-nas-telas1-300x179.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/h3>\n<h3><\/h3>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\">Salvador\u00a0nas telas<\/h2>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Al\u00e9m de criar imagens da cidade amparadas por narrativas<\/strong><br \/>\n<strong>ficcionais, produ\u00e7\u00f5es do cinema, novelas, s\u00e9ries e videoclipes<\/strong><br \/>\n<strong>costumam deixar como legado o incremento do turismo<\/strong><\/p>\n<div>In\u00edcio da noite no bairro do Santo Ant\u00f4nio. Os barzinhos da Cruz do Pascoal, em frente ao Plano Inclinado Pilar, est\u00e3o abertos e come\u00e7am a receber clientes com o avan\u00e7ar das horas. H\u00e1 cerca de tr\u00eas\u00a0 meses eram os caminh\u00f5es e as equipes de produ\u00e7\u00e3o da novela Segundo Sol, que iam aos poucos chegando. \u201cO movimento para as grava\u00e7\u00f5es come\u00e7ava por volta de meia-noite e continuava at\u00e9 de manh\u00e3. Tinha o pessoal que vinha antes com as vans, os carros, e alguns curiosos ficavam acompanhando\u201d, diz Raimundo Jos\u00e9, 45 anos, gar\u00e7om do Recanto do Pascoal, que fez bico como figurante em algumas cenas. De acordo com ele, quase todas as pessoas que chegam ao bairro e sentam no boteco\u00a0 perguntam: \u201cOnde foi gravada a novela?\u201d.<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div>A regi\u00e3o do Centro Hist\u00f3rico de Salvador \u00e9 muito frequente como cen\u00e1rio de produ\u00e7\u00f5es audiovisuais. Um passeio que sai do Largo do Santo Ant\u00f4nio, passa pela ladeira do Carmo e vai at\u00e9 o Terreiro de Jesus percorre mais de uma dezena de loca\u00e7\u00f5es de filmes, clipes, telenovelas e s\u00e9ries. Alguns desses lugares tiveram tanta visibilidade, a partir da presen\u00e7a nessas\u00a0 obras de fic\u00e7\u00e3o, que se\u00a0 tornaram pontos tur\u00edsticos e\/ou\u00a0\u00a0lugares constantemente visitados.<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div>S\u00e3o exemplos disso a escadaria do Passo, presente no filme de Anselmo Duarte\u00a0 e na miniss\u00e9rie de Tizuka Yamasaki\u00a0\u00a0<em>O Pagador de Promessas<\/em>\u00a0(adapta\u00e7\u00f5es do livro de Dias Gomes); o Bar do Cal\u00e7ad\u00e3o, muito mais conhecido como Bar de Neuz\u00e3o, visto\u00a0no\u00a0longa-metragem<em>\u00a0 \u00d3 Pa\u00ed, \u00d3<\/em>, de Monique Gardenberg; e a famosa sacada onde Michael Jackson aparece no videoclipe de\u00a0<em>They don\u2019t\u00a0\u00a0Care About Us<\/em>, dirigido pelo cineasta\u00a0 Spike Lee e\u00a0 \u00a0gravado no Pelourinho\u00a0 com\u00a0 o Olodum.<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div>Segundo Ana Camila Esteves, pesquisadora de narrativas urbanas e cinema na Universidade Federal da Bahia, o audiovisual se aproxima da literatura ao construir \u201cimagin\u00e1rios\u201d\u00a0sobre os lugares e as suas caracter\u00edsticas, mas tem a vantagem de representar e, ao mesmo tempo, mostrar os espa\u00e7os da\u00a0 cidade. \u201cA cria\u00e7\u00e3o de narrativas ficcionais, a partir de espa\u00e7os que existem, faz com que o outro, que n\u00e3o conhece, tenha uma outra experi\u00eancia, audiovisual, com aquele espa\u00e7o\u201d, explica.<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div>Mais de 50 anos ap\u00f3s a estreia de\u00a0<em>O Pagador de Promessas<\/em>,\u00a0 muitos turistas ainda\u00a0 v\u00e3o conhecer a Igreja do Sant\u00edssimo Sacramento da rua do Passo pensando que se trata, na realidade,\u00a0 da Igreja de Santa B\u00e1rbara, por conta do que \u00e9 exibido na\u00a0 trama do\u00a0 filme.<\/div>\n<div><\/div>\n<figure><img decoding=\"async\" class=\"d-block img-responsive\" src=\"http:\/\/fw.atarde.com.br\/2018\/07\/750_cidade-cenario_2018723112947274.jpg\" alt=\"O administrador Anfil\u00f3fio Magalh\u00e3es transformou a sala de casa em camarim para o elenco da miniss\u00e9rie \" \/><figcaption>O administrador Anfil\u00f3fio Magalh\u00e3es transformou a sala de casa em camarim para o elenco da miniss\u00e9rie &#8220;O Pagador de Promessas&#8221;, no final dos anos 1980<\/figcaption><\/figure>\n<div>Na hist\u00f3ria, o personagem principal sobe a escadaria carregando uma cruz para pagar uma promessa\u00a0 \u00a0\u00e0\u00a0 santa.\u00a0 \u201cA Igreja de Santa B\u00e1rbara \u00e9 de outra irmandade, mas j\u00e1 quiseram, inclusive, mudar o nome\u201d, diz o administrador Anfil\u00f3fio Magalh\u00e3es, 65, morador do Passo\u00a0 e vizinho\u00a0 da igreja h\u00e1 mais de 40 anos.<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div>Ele n\u00e3o chegou a acompanhar as filmagens do longa\u00a0de 1962, premiado\u00a0 com a Palma de Outro no\u00a0 Festival de Cannes, na Fran\u00e7a; mas\u00a0 na miniss\u00e9rie,\u00a0no final dos anos 1980, colaborou em muitos momentos, inclusive cedendo a sala de sua casa como base de aux\u00edlio para a maquiagem, troca de roupa e ponto de encontro da equipe da produ\u00e7\u00e3o.<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div>\u201cTinha muita gente envolvida, o pessoal ficava andando pelo bairro. A grava\u00e7\u00e3o de um filme ou uma novela muda muito a rotina porque vem\u00a0gente de fora, aquece o com\u00e9rcio, tem os figurantes\u201d, diz Magalh\u00e3es, como \u00e9 conhecido entre os vizinhos de\u00a0 bairro. O legado deixado por essas produ\u00e7\u00f5es, ami\u00fade, \u00e9 a expans\u00e3o do turismo \u2013 que \u00e0s vezes ocorre imediatamente \u00e0 divulga\u00e7\u00e3o e exibi\u00e7\u00e3o, \u00e0s vezes\u00a0 somente depois de alguns anos ou d\u00e9cadas.<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div>\u201cAl\u00e9m da confus\u00e3o sobre a igreja, que ainda gera essa d\u00favida,\u00a0 se \u00e9 ou n\u00e3o de Santa B\u00e1rbara, a escadaria se propagou no mundo inteiro atrav\u00e9s do filme. Vem gente de todos os lugares querendo conhecer\u201d, diz o morador. At\u00e9 o\u00a0 show do cantor e compositor Ger\u00f4nimo, que acontecia toda ter\u00e7a-feira (tradicionalmente) e lotava a\u00a0 escadaria, era intitulado O Pagador de Promessas e tamb\u00e9m prestava homenagem ao aclamado\u00a0longa-metragem brasileiro.<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div><strong>Averiguando os cen\u00e1rios<\/strong><\/div>\n<div><\/div>\n<div>Em rela\u00e7\u00e3o a\u00a0\u00a0Segundo Sol, um movimento diferente\u00a0 tem acontecido. Alguns moradores dizem ter percebido que o piso da rua, nas cenas da novela,\u00a0 \u00e9 de paralelep\u00edpedo, enquanto o original \u00e9 de asfalto. \u201cQuando vi as pedras na televis\u00e3o, achei estranho. Mas depois lembrei que tem a cidade cenogr\u00e1fica l\u00e1 no Rio de Janeiro\u201d, conta Rita L\u00e9lis, 51, comerciante e moradora do Santo Ant\u00f4nio.<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div>Como afirma Ana Camila, que atualmente estuda\u00a0 o cinema feito em\u00a0 pa\u00edses africanos, \u201cquando as produ\u00e7\u00f5es s\u00e3o aqui em Salvador, a gente se coloca mais na posi\u00e7\u00e3o de averigua\u00e7\u00e3o, se \u00e9 isso mesmo, se est\u00e1 bem representado. As pessoas ficam na defensiva. A\u00a0 gente viu isso na estreia de Segundo Sol\u201d.<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div>Ao mesmo\u00a0 tempo, h\u00e1 tamb\u00e9m as pessoas de outros lugares, que n\u00e3o conhecem e, portanto,\u00a0 relacionam-se apenas\u00a0 com o que \u00e9 apresentado na tela.\u00a0 \u201cEssas provavelmente\u00a0 v\u00e3o pensar: \u2018Salvador \u00e9 assim\u2019. Tais\u00a0 produ\u00e7\u00f5es t\u00eam esse poder\u00a0 \u00a0e, na televis\u00e3o, o impacto \u00e9 muito\u00a0 grande\u201d, complementa a pesquisadora.\u00a0 De acordo com o grau de visibilidade, a repercuss\u00e3o \u00e9 menor ou maior.<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure><img decoding=\"async\" class=\"d-block img-responsive\" src=\"http:\/\/fw.atarde.com.br\/2018\/07\/750_cidade-cenario_2018723112947282.jpg\" alt=\"O Bar Cruz do Pascoal serviu de cen\u00e1rio para o Bar do Caranguejo, da novela Segundo Sol\" \/><figcaption>O Bar Cruz do Pascoal serviu de cen\u00e1rio para o Bar do Caranguejo, da novela Segundo Sol<\/figcaption><\/figure>\n<div>As filmagens\u00a0 tamb\u00e9m podem modificar, mesmo temporariamente,\u00a0o cotidiano dos bairros de um modo direto. No Santo Ant\u00f4nio, por exemplo, a novela Segundo Sol \u00e9 assunto geral: nas ruas, em\u00a0 botecos,\u00a0 caf\u00e9s,\u00a0 \u00a0padarias e pousadas. Moradores orgulham-se de fotografias com atores e da experi\u00eancia de\u00a0 acompanhar, mesmo de longe, as grava\u00e7\u00f5es. Alimentam\u00a0hist\u00f3rias que se desdobram disso.<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div>O Bar Cruz do Pascoal serviu de cen\u00e1rio para o bar do caranguejo\u00a0 da novela e, em seguida, fechou as portas por 40 dias. Os coment\u00e1rios j\u00e1 correram soltos. \u201cGanhou tanto dinheiro com a loca\u00e7\u00e3o que deu f\u00e9rias para todo mundo\u201d, brinca um comerciante vizinho.<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div>Daniel Ara\u00fajo, 43, gerente do bar, fala que o espa\u00e7o j\u00e1 tinha sido antes a loca\u00e7\u00e3o da s\u00e9rie O Canto da Sereia. \u201cDepois de Segundo Sol, veio muita gente para c\u00e1. Acho que algumas pessoas em Salvador s\u00f3 t\u00eam assistido porque tem a cidade\u201d, opina.<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div>Sobre o motivo da temporada sem abrir, o rapaz d\u00e1 risada e revela\u00a0 que, pelo contr\u00e1rio,\u00a0 \u201c\u00e9 consequ\u00eancia da baixa esta\u00e7\u00e3o\u201d.\u00a0 Por\u00e9m acredita que o ver\u00e3o ser\u00e1\u00a0 melhor\u00a0 e atribui tal previs\u00e3o ao resultado da audi\u00eancia da novela: \u201cA rua sai todo dia em Segundo Sol. Quem \u00e9 de fora vai querer conhecer\u201d, afirma.<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div>\u00a0A prop\u00f3sito\u00a0 dessa capacidade de est\u00edmulo \u00e0 atividade tur\u00edstica, por meio da visibilidade alcan\u00e7ada por\u00a0 lugares\u00a0 \u00a0 \u00a0presentes em produ\u00e7\u00f5es audiovisuais, sobretudo em Segundo Sol, a Secretaria de Turismo do Estado da Bahia anunciou, durante as comemora\u00e7\u00f5es do 2 de Julho, o projeto Bahia Cen\u00e1rio de Novela.<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div>Conforme a Setur,\u00a0 a\u00a0 proposta, ainda em constru\u00e7\u00e3o,\u00a0 visa englobar as 13 zonas tur\u00edsticas baianas, entre elas a de\u00a0 Salvador. \u201cVamos trazer turistas brasileiros e,\u00a0 depois, se a novela for exibida no exterior, a meta ser\u00e1 a atra\u00e7\u00e3o de\u00a0 estrangeiros tamb\u00e9m\u201d, afirma, em nota,\u00a0\u00a0o secret\u00e1rio estadual de Turismo, Jos\u00e9 Alves.<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div><strong>Descendo para o Pel\u00f4<\/strong><\/div>\n<div><\/div>\n<div>Nem tudo, por\u00e9m, se deve ao presente. H\u00e1 mais de 20 anos, num s\u00e1bado de 1996, o Pelourinho parou. As ruas\u00a0 foram fechadas e o policiamento refor\u00e7ado para a grava\u00e7\u00e3o do videoclipe\u00a0<em>They don\u2019t\u00a0 Care About Us<\/em>, de Michael Jackson \u2013\u00a0 \u00a0um dos maiores astros da m\u00fasica pop mundial, falecido em 2009. \u201cFoi um dia at\u00edpico, uma\u00a0 loucura. Cheguei a v\u00ea-lo\u201d, lembra o morador e artista pl\u00e1stico Carlos Sim\u00f5es,\u00a0 \u00a058 anos.<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure><img decoding=\"async\" class=\"d-block img-responsive\" src=\"http:\/\/fw.atarde.com.br\/2018\/07\/750_cidade-cenario_2018723112947290.jpg\" alt=\"Carlos Alberto \u00e9 o locat\u00e1rio do casar\u00e3o onde Michael Jackson gravou o clipe de They don\u2019t Care About Us: cobra R$ 5 pelas fotografias na fachada\" \/><figcaption>Carlos Alberto \u00e9 o locat\u00e1rio do casar\u00e3o onde Michael Jackson gravou o clipe de They don\u2019t Care About Us: cobra R$ 5 pelas fotografias na fachada<\/figcaption><\/figure>\n<div>Uma multid\u00e3o, no dia da grava\u00e7\u00e3o, tomou o bairro e os seus arredores. O cantor n\u00e3o chegou a visitar muitos lugares, mas um, especialmente, tornou-se emblem\u00e1tico. A sacada do casar\u00e3o defronte ao Largo do Pelourinho, onde o artista aparece no produto audiovisual. Depois disso, a associa\u00e7\u00e3o entre aquela casa e Michael Jackson somente se intensificou com os seus usos, com a rela\u00e7\u00e3o dos f\u00e3s e com o passar dos anos.<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div>No t\u00e9rreo, atualmente, funciona uma lojinha de souvenir para turistas e demais passantes. O atrativo mesmo, no entanto, \u00e9 o segundo andar. Ou melhor, a oportunidade de subir e pisar no mesmo ch\u00e3o que o astro e ainda fazer uma fotografia.<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div>A estudante\u00a0 J\u00e9ssica de Assis, 14 anos,\u00a0 vai, em m\u00e9dia, tr\u00eas vezes por semana no local. \u201cMeu pai me apresentou Michael\u00a0 quando tinha 4 anos e virei f\u00e3. J\u00e1 pensei em morar aqui no futuro, mas a minha rela\u00e7\u00e3o com o Pelourinho s\u00f3 existe por causa dele. At\u00e9 do Olodum s\u00f3 gosto por causa de Michael. Quando venho aqui, \u00e0s vezes fico triste, porque ele morreu, e feliz por estar onde ele passou\u201d.<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div>O locat\u00e1rio do espa\u00e7o, Carlos Alberto, 55 anos, logo quando abriu a loja come\u00e7ou a receber muitos pedidos de clientes para visitar a sacada. Teve ent\u00e3o a ideia de complementar a receita cobrando o que chama de \u201cvalor simb\u00f3lico\u201d, hoje de R$ 5. \u00c9 poss\u00edvel tamb\u00e9m comprar um objeto do mesmo pre\u00e7o e conseguir\u00a0 o livre acesso ao avarandado. A iniciativa do comerciante\u00a0 coincidiu com o per\u00edodo da morte do artista.<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div>\u201cEssa casa era de um italiano e, na \u00e9poca em\u00a0 que Michael gravou, funcionava o cart\u00f3rio de dona Lina. O aluguel custou R$ 2 mil para a grava\u00e7\u00e3o. Depois\u00a0 que aluguei, conheci toda a hist\u00f3ria\u201d, diz, enquanto aperta play, em looping, para exibir o videoclipe. \u201cAcho que sou a pessoa que mais ouviu\u00a0 essa m\u00fasica no mundo\u201d. Na \u00e9poca da Copa do Mundo, ele mudava de canal apenas para saber os resultados\u00a0 dos\u00a0jogos.<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div>\u00a0\u201cIsso aqui nunca mais vai ser a mesma coisa. J\u00e1 apareceu at\u00e9 f\u00e3 querendo alugar o quarto para dormir, pediu para eu escolher o pre\u00e7o, mas disse que n\u00e3o poderia, pois nem \u00e1gua tinha. Tenho muito material, fotos, reportagens, chaveiros, a camisa do Olodum igual \u00e0 dele. Acho que tamb\u00e9m por isso vem muita gente\u201d, avalia o comerciante, que em seguida\u00a0 conta que na\u00a0 \u00faltima quinta de outubro\u00a0 f\u00e3s regularmente se\u00a0 re\u00fanem para dan\u00e7ar e cantar ali em frente, sem um marco aparente.\u00a0 Embora a\u00a0 \u00a0empresa propriet\u00e1ria\u00a0 j\u00e1 tenha\u00a0 colocado\u00a0 o casar\u00e3o \u00e0 venda, segundo Carlos, por cerca de R$ 1,2 milh\u00e3o,\u00a0 n\u00e3o apareceram\u00a0 muitos interessados, provavelmente por conta do pre\u00e7o\u00a0 e do estado de conserva\u00e7\u00e3o prec\u00e1rio do local.<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div>Mais para baixo,\u00a0 tamb\u00e9m no\u00a0 Largo do Pelourinho, o famoso Bar de Neuz\u00e3o \u00e9 outro espa\u00e7o no qual a fama\u00a0 conquistada no audiovisual\u00a0 reverbera no cotidiano.\u00a0\u00a0Alguns clientes dizem\u00a0 que o dono n\u00e3o gosta\u00a0 e chega a\u00a0 reclamar\u00a0 da\u00a0 associa\u00e7\u00e3o entre o\u00a0 Bar do Cal\u00e7ad\u00e3o e o do filme\u00a0<em>\u00d3 Pa\u00ed, \u00d3<\/em>. Entretanto, o\u00a0 empres\u00e1rio Ricardo Matos, 52, demonstra uma\u00a0 posi\u00e7\u00e3o diferente dos\u00a0 \u201cboatos\u201d e\u00a0 afirma\u00a0 que o v\u00ednculo \u00e9\u00a0 \u201cmuito bom\u201d, sobretudo do ponto de vista do com\u00e9rcio. \u201cAjudou\u00a0na fama do bar. Durante um tempo fazia propaganda e cheguei a colocar a m\u00fasica (<em>I Miss Her<\/em>, do Olodum) e o restante da trilha para tocar aqui\u201d, conta o propriet\u00e1rio do boteco.<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div>\u201cOs turistas s\u00e3o os mais\u00a0 atra\u00eddos. Tenho uma cliente que vem de Porto Seguro passar a tarde aqui, pede para colocar as m\u00fasicas e fala de\u00a0<em>\u00d3 Pa\u00ed, \u00d3<\/em>. No fim do\u00a0 dia, volta. Apesar do nome diferente na raz\u00e3o social, aqui \u00e9 o Bar de Neuz\u00e3o\u201d.<\/div>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"d-block img-responsive aligncenter wp-image-6172 size-full\" src=\"https:\/\/faustojunior.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/muito-salvador-nas-telas2.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"381\" srcset=\"https:\/\/faustojunior.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/muito-salvador-nas-telas2.jpg 640w, https:\/\/faustojunior.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/muito-salvador-nas-telas2-300x179.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/p>\n<div>Fonte: <a href=\"http:\/\/atarde.uol.com.br\/muito\/noticias\/1978768-do-bar-da-novela-a-sacada-de-michael-jackson-conheca-os-efeitos-das-producoes-audiovisuais-no-cotidiano-de-salvador\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/atarde.uol.com.br\/muito\/noticias\/1978768-do-bar-da-novela-a-sacada-de-michael-jackson-conheca-os-efeitos-das-producoes-audiovisuais-no-cotidiano-de-salvador<\/a><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><div class='cow_johnson' style='padding:15px;margin-bottom:15px;float:left;margin-right:15px;width:640px;color:#666666!important;font-family:\"Segoe UI\";font-size:14px!important;line-height:16px!important;background:#FFFFFF;'><strong>Leia tamb\u00e9m:\u00a0<\/strong><span style=\"color: #222222;\"><!-- relpost-thumb-wrapper --><div class=\"relpost-thumb-wrapper\"><!-- filter-class --><div class=\"relpost-thumb-container\"><style>.relpost-block-single-image, .relpost-post-image { margin-bottom: 10px; }<\/style><h2>Leia tamb\u00e9m:<\/h2><div style=\"clear: both\"><\/div><div style=\"clear: both\"><\/div><!-- relpost-block-container --><div class=\"relpost-block-container relpost-block-column-layout\" style=\"--relposth-columns: 3;--relposth-columns_t: 2; --relposth-columns_m: 2\"><a href=\"https:\/\/faustojunior.com\/blog\/cinema-no-palacete-abril\/\"class=\"relpost-block-single\" ><div class=\"relpost-custom-block-single\"><div class=\"relpost-block-single-image rpt-lazyload\" aria-hidden=\"true\" role=\"img\" data-bg=\"https:\/\/faustojunior.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/cinema-no-palacete-abril-155x96.jpg\" style=\"background: transparent no-repeat scroll 0% 0%; width: 155px; height: 96px; aspect-ratio: 1\/1;\"><\/div><div class=\"relpost-block-single-text\"  style=\"height: 32px;font-family: Arial;  font-size: 12px;  color: #333333;\"><h2 class=\"relpost_card_title\">Cinema no Palacete: abril<\/h2><\/div><\/div><\/a><a href=\"https:\/\/faustojunior.com\/blog\/nordestelab-2018\/\"class=\"relpost-block-single\" ><div class=\"relpost-custom-block-single\"><div class=\"relpost-block-single-image rpt-lazyload\" aria-hidden=\"true\" role=\"img\" data-bg=\"https:\/\/faustojunior.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/nordestelab2017-155x96.jpg\" style=\"background: transparent no-repeat scroll 0% 0%; 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