{"id":6339,"date":"2018-10-09T16:02:50","date_gmt":"2018-10-09T19:02:50","guid":{"rendered":"http:\/\/faustojunior.com\/blog\/?p=6339"},"modified":"2018-10-09T16:26:45","modified_gmt":"2018-10-09T19:26:45","slug":"curso-de-cinema-de-cachoeira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/faustojunior.com\/blog\/curso-de-cinema-de-cachoeira\/","title":{"rendered":"Curso de cinema de Cachoeira"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mat\u00e9ria de capa da revista Muito (suplemento dominical do jornal A Tarde) fala sobre o conceituado curso de cinema da Universidade Federal do Rec\u00f4ncavo Baiano, em Cachoeira (BA), que est\u00e1 completando 10 anos.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-6342\" src=\"https:\/\/faustojunior.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/muito_ufrb-th.jpg\" alt=\"\" width=\"200\" height=\"238\" \/><\/p>\n<p><strong>Revista Muito<\/strong><br \/>\nedi\u00e7\u00e3o n\u00ba 530<br \/>\n7 de outubro de 2018<br \/>\nTexto: Tatiane Mendon\u00e7a<br \/>\nFotos: Adilton Venegeroles<br \/>\nVers\u00e3o original em A Tarde:\u00a0<a href=\"https:\/\/bit.ly\/2A0aTLm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/bit.ly\/2A0aTLm<\/a><\/p>\n<p><strong>Cinema pulsante<\/strong><br \/>\nA for\u00e7a coletiva que anima a produ\u00e7\u00e3o de filmes em Cachoeira, no Rec\u00f4ncavo Baiano.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<h3><\/h3>\n<h3 class=\"tituloMateria\" style=\"text-align: left;\">Curso de cinema de Cachoeira faz 10 anos com produ\u00e7\u00f5es premiadas<\/h3>\n<p class=\"credito\">Tatiana Mendon\u00e7a<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Sem tr\u00e2nsito, sem filas, sem a correria agonienta das multid\u00f5es, o tempo passa de um outro jeito nas cidades pequenas. D\u00e1 para botar mais coisas dentro dele. \u201cSe voc\u00ea soubesse tudo que eu fa\u00e7o num \u00fanico dia, voc\u00ea n\u00e3o ia acreditar\u201d, ri Ary Rosa, como uma maneira de come\u00e7ar a explicar como dois filmes grandes nasceram no curto intervalo de um ano.<\/p>\n<p>Como um roteiro feito de repeti\u00e7\u00f5es, em 2017 Ary Rosa e Glenda Nic\u00e1cio estrearam no Festival de Bras\u00edlia do Cinema Brasileiro, um dos mais importantes do pa\u00eds, o longa\u00a0<em>Caf\u00e9 com Canela<\/em>. Foram premiados. Em 2018, Ary Rosa e Glenda Nic\u00e1cio estrearam no Festival de Bras\u00edlia do Cinema Brasileiro, um dos mais importantes do pa\u00eds, o longa\u00a0<em>Ilha<\/em>. Foram premiados.<\/p>\n<p>E voltaram, nas duas vezes, para Cachoeira, no Rec\u00f4ncavo baiano, onde vivem e trabalham. Nascidos em Minas Gerais, nas cidades vizinhas de Pouso Alegre e Po\u00e7os de Caldas, vieram se conhecer no Centro de Artes, Humanidades e Letras da Universidade Federal do Rec\u00f4ncavo da Bahia (UFRB), onde h\u00e1 10 anos foi criado o primeiro curso de cinema em uma universidade p\u00fablica do Norte e Nordeste.<\/p>\n<div id=\"attachment_6343\" style=\"width: 650px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-6343\" class=\"wp-image-6343\" src=\"https:\/\/faustojunior.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/muito_ufrb_glenda_ary.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"427\" srcset=\"https:\/\/faustojunior.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/muito_ufrb_glenda_ary.jpg 750w, https:\/\/faustojunior.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/muito_ufrb_glenda_ary-300x200.jpg 300w, https:\/\/faustojunior.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/muito_ufrb_glenda_ary-272x182.jpg 272w\" sizes=\"auto, (max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><p id=\"caption-attachment-6343\" class=\"wp-caption-text\">Glenda Nic\u00e1cio e Ary Rosa, ex-alunos da UFRB, dirigiram os premiados &#8216;Ilha&#8217; e &#8216;Caf\u00e9 com Canela&#8217;<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na \u00faltima semana de setembro, come\u00e7ou mais um ano letivo. A coordenadora Angelita Bogado recebeu os calouros exaltando particularidades daquele curso. \u201cA gente est\u00e1 aprendendo a fazer cinema de um jeito n\u00e3o s\u00f3 colaborativo, mas em que a experi\u00eancia do lugar \u00e9 muito importante. Os filmes feitos hoje pelos nossos alunos n\u00e3o poderiam estar sendo feitos em outro lugar. A cidade n\u00e3o \u00e9 pano de fundo, n\u00e3o \u00e9 cenogr\u00e1fica. As produ\u00e7\u00f5es que saem daqui abarcam a um s\u00f3 tempo a vida vivida e a vida imaginada\u201d.<\/p>\n<p>Glenda e Ary concordam tanto que resolveram, depois de formados, permanecer em Cachoeira. \u201cO cinema que a gente\u00a0 escolheu fazer nasce n\u00e3o de um processo industrial, mas de tentar trazer outras possibilidades a partir de uma realidade muito concreta. Sempre tivemos consci\u00eancia de que fazer cinema aqui era diferente e demandava um desenho de produ\u00e7\u00e3o diferente. Mas tem tamb\u00e9m a parte est\u00e9tica. A hist\u00f3ria da cidade fica o tempo todo pulsando, a comunidade tamb\u00e9m\u201d, conta Glenda.<\/p>\n<p>Em 2011, um ano depois de ingressar na UFRB, eles criaram, ao lado dos amigos Henrique Roza e M\u00e1rcia Souza, a Rosza Filmes Produ\u00e7\u00f5es. Era uma maneira de dar uma \u201cresposta \u00e0 universidade que nascia no Rec\u00f4ncavo da Bahia\u201d, diz Ary, como um movimento\u00a0 de causa e efeito. Com a morte de Henrique e a sa\u00edda de M\u00e1rcia, ficaram os dois.<\/p>\n<p>A produtora est\u00e1 registrada em S\u00e3o F\u00e9lix, \u00e9 sediada em Muritiba, e eles filmam em Cachoeira. As cidades s\u00e3o vizinhas.\u00a0 Nos primeiros anos, penaram at\u00e9 se entender com os mecanismos dos editais.\u00a0 Em 2014, quando j\u00e1 estavam para se formar, venceram um edital com recursos dos governos federal e estadual, com\u00a0<em>Caf\u00e9 com Canela<\/em>.<\/p>\n<p>Mais de 200 pessoas envolveram-se na produ\u00e7\u00e3o do longa, que promoveu oficinas\u00a0 de cenografia e figurino na regi\u00e3o e testes de elenco com atores profissionais e n\u00e3o profissionais da comunidade. Era um modo afetuoso\u00a0de fazer um filme sobre afeto.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria da mulher que perde o filho e o jeito de continuar vivendo at\u00e9 ser resgatada por uma ex-aluna comoveu o j\u00fari popular do Festival de Bras\u00edlia, que o sagrou melhor filme da premia\u00e7\u00e3o.\u00a0Levou tamb\u00e9m os candangos de\u00a0 melhor roteiro para Ary e Glenda e de melhor atriz para Valdineia Soriano, que vive a m\u00e3e devastada.<\/p>\n<p><strong>Cinema negro<\/strong><\/p>\n<p>Em agosto, o filme estreou na TVE e entrou em circuito comercial em todo o pa\u00eds. Terminou por revelar um outro feito. Era a primeira vez, em 34 anos, que um longa nacional de fic\u00e7\u00e3o dirigido por uma mulher negra entrava em cartaz no pa\u00eds.\u00a0Glenda reconhece o marco, mas dispensa os parab\u00e9ns sorridentes que volta e meia recebe. \u201c\u00c9 algo assustador, tr\u00e1gico. N\u00e3o d\u00e1 para celebrar isso. Voc\u00ea vai para qualquer festival e encontra muitas realizadoras negras, gente que est\u00e1 fazendo cinema h\u00e1 muito mais tempo do que eu, inclusive. Mas podemos celebrar as mudan\u00e7as, a conquista dos espa\u00e7os\u201d.<\/p>\n<figure><img decoding=\"async\" class=\"d-block img-responsive\" src=\"http:\/\/fw.atarde.com.br\/2018\/10\/750_cinema_2018108101631874.jpg\" alt=\"Larissa Fulana de Tal, Daiane Silva, Thamires Vieira e Clarissa Brand\u00e3o criaram h\u00e1 um ano a produtora Rebento Filmes\" \/><figcaption>Larissa Fulana de Tal, Daiane Silva, Thamires Vieira e Clarissa Brand\u00e3o criaram h\u00e1 um ano a produtora Rebento Filmes<\/figcaption><\/figure>\n<p>A equipe de produ\u00e7\u00e3o e o elenco de\u00a0<em>Caf\u00e9 com Canela<\/em>\u00a0s\u00e3o majoritariamente negros, assim como a cidade que inspira o longa. Em Cachoeira, 87% das pessoas declaram-se como pretas e pardas.<\/p>\n<p>Por conta disso, Ary acredita que essas escolhas, marcadamente pol\u00edticas, acabam sendo de algum modo naturais. \u201cA partir do momento que o filme se descola daqui e ganha outras realidades, essa reflex\u00e3o acaba ficando mais forte, porque h\u00e1 uma car\u00eancia. As estat\u00edsticas s\u00e3o gritantes. Mas aqui a maioria das pessoas \u00e9 negra. \u00c9 o que a gente v\u00ea quando est\u00e1 nas ruas, na universidade, quando vai tomar uma cerveja\u201d.<\/p>\n<p>Para gravar\u00a0<em>Ilha<\/em>, foram da beira do rio Paragua\u00e7u\u00a0 para a beira do mar. O longa conta a hist\u00f3ria de um rapaz da periferia que sequestra um cineasta para que fa\u00e7a um filme sobre sua vida. Com produ\u00e7\u00e3o mais enxuta, que reuniu cerca de 40 pessoas, ficou pronto em pouco mais de um ano. Na frente e atr\u00e1s das c\u00e2meras, novamente corpos negros, em sua maioria.<\/p>\n<p>\u00danica produ\u00e7\u00e3o baiana na mostra competitiva nacional do Festival de Bras\u00edlia,\u00a0<em>Ilha\u00a0<\/em>levou os candangos de melhor roteiro, melhor ator (para Aldri Assun\u00e7\u00e3o) e melhor longa no Pr\u00eamio Z\u00f3zimo Bulbul, seletiva que homenageia a trajet\u00f3ria daquele que \u00e9 considerado um dos principais nomes do cinema negro no Brasil.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o se falava muito nele no curso de cinema de Cachoeira. Os professores tamb\u00e9m n\u00e3o costumavam levantar\u00a0 discuss\u00f5es raciais. Ary e Glenda n\u00e3o lembram de nenhuma vez que falaram sobre o tema de modo\u00a0 mais aprofundado nas aulas.<\/p>\n<p>Para tentar ocupar essa aus\u00eancia, foi fundado, em 2010, o Coletivo Tela Preta. Larissa Fulana de Tal, uma das idealizadoras, lembra do choque que sentiu ao chegar a Cachoeira, cidade preta como Salvador, onde nasceu, e de isso n\u00e3o estar pautado na sala de aula.\u00a0Queriam dela um repert\u00f3rio\u00a0que n\u00e3o tinha. Foi conhecer a obra de Glauber Rocha mas tamb\u00e9m come\u00e7ou a buscar referenciais da presen\u00e7a negra nas telas e atr\u00e1s das c\u00e2meras.\u00a0 Foi quando conheceu Z\u00f3zimo e o Encontro de Cinema Negro que leva seu nome.<\/p>\n<p>No coletivo, ao lado de outros estudantes, come\u00e7ou a discutir tamb\u00e9m a din\u00e2mica de produ\u00e7\u00e3o no cinema. \u201cOs estudantes negros v\u00e3o, em grande parte, para a produ\u00e7\u00e3o. N\u00e3o que seja ruim, mas a gente sabe quem carrega o peso. Quando entrei na faculdade, em 2009, ningu\u00e9m ali nunca tinha pegado numa c\u00e2mera, mas de repente quem tava ali dirigindo o filme era a galera branca. Naturalmente voc\u00ea vai sendo colocado em alguns lugares\u201d.<\/p>\n<p>Fizeram ainda dois curtas,<em>\u00a0Cinzas<\/em>\u00a0e\u00a0<em>O Som do Sil\u00eancio<\/em>, lan\u00e7ados em festivais, mas hoje funcionam mais como um espa\u00e7o de debates, de \u201cacolhimento de narrativas\u201d, diz Thamires Vieira, tamb\u00e9m egressa da UFRB, que entrou no grupo em 2015.<\/p>\n<p>E j\u00e1 que \u201cn\u00e3o d\u00e1 para viver de cinema sem CNPJ\u201d, como atesta Larissa, ela montou, ao lado de Thamires, Clarissa Brand\u00e3o e Daiane Silva, a Rebento Filmes. Est\u00e3o de mudan\u00e7a, terminando de pintar uma sala num casar\u00e3o no bairro da Sa\u00fade, em Salvador.\u00a0 Ali, querem estar no lugar de autoras, propondo os pr\u00f3prios projetos.<\/p>\n<p>Juntas, produziram a s\u00e9rie\u00a0<em>Diz A\u00ed: Afroind\u00edgena<\/em>\u00a0\u2013 que acompanhou o cotidiano de jovens negros e ind\u00edgenas e est\u00e1 no ar no Canal Futura \u2013 e t\u00eam dois projetos em andamento: o longa documental\u00a0<em>Mulheres do Bando<\/em>, sobre as atrizes negras do Bando de Teatro Olodum, e a s\u00e9rie documental\u00a0<em>M\u00e3e Preta<\/em>, que quer retratar o cotidiano de m\u00e3es negras.<\/p>\n<p><strong>Interioriza\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>De volta a Cachoeira, uma outra produtora surgiu na esteira da cria\u00e7\u00e3o do curso de cinema. \u00c9 a Tribuzana Filmes, da soteropolitana Camila Greg\u00f3rio, que est\u00e1 prestes a se formar. \u201cEntendo a import\u00e2ncia de trazer investimentos para o interior, para que a gente consiga produzir aqui cinema de grande porte\u201d.<\/p>\n<p>A Tribuzana tem um ano, ainda engatinha, mas \u00e9 como uma materializa\u00e7\u00e3o da certeza que Camila tem de que vai permanecer por l\u00e1. \u201cMeu plano \u00e9 esse.\u00a0Parece uma coisa imposs\u00edvel para as pessoas permanecer em uma cidade pequena fazendo cinema. E \u00e9 muito dif\u00edcil mesmo, mas faz parte do nosso objetivo nos manter aqui para pensar a interioriza\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, sou apaixonada pela cidade. Seria uma outra pessoa se n\u00e3o tivesse passado por aqui\u201d.<\/p>\n<figure><img decoding=\"async\" class=\"d-block img-responsive\" src=\"http:\/\/fw.atarde.com.br\/2018\/10\/750_cinema_2018108101631950.jpg\" alt=\"Soteropolitana, Camila Greg\u00f3rio j\u00e1 decidiu que vai ficar em Cachoeira ap\u00f3s terminar o curso da UFRB\" \/><figcaption>Soteropolitana, Camila Greg\u00f3rio j\u00e1 decidiu que vai ficar em Cachoeira ap\u00f3s terminar o curso da UFRB<\/figcaption><\/figure>\n<p>Camila costuma falar no plural apesar de a Tribuzana ser a produtora de uma mulher s\u00f3. Mas est\u00e1 junto a outros quatro colegas no coletivo Feito a Fac\u00e3o, que foi premiado no ano passado na mostra universit\u00e1ria do Festival de Bras\u00edlia com o curta\u00a0<em>Fervendo<\/em>, que conta a hist\u00f3ria de uma gravidez indesejada e uma tentativa de aborto.<\/p>\n<p>Em novembro, Cachoeira vai sediar mais uma edi\u00e7\u00e3o do Panorama Coisa de Cinema, e Camila est\u00e1 \u00e0 frente da curadoria local. Alguns filmes feitos na cidade estar\u00e3o na mostra. Apesar da produ\u00e7\u00e3o diversa, ela conta que consegue ver uma unidade nos realizadores. \u201cTem um desejo de pensar um cinema mais pol\u00edtico, mais coletivo, e isso fica vis\u00edvel na tela. S\u00e3o roteiros pensados para atingir diversos p\u00fablicos, n\u00e3o s\u00f3 o de festival, e o pr\u00f3prio casting dos atores tem uma representatividade feminina, negra\u201d.<\/p>\n<p>Em 2008, a cidade passou a ter um curso de cinema, mas n\u00e3o tinha, propriamente, um cinema. Constru\u00eddo em 1922, o Cine-Theatro Cachoeirano (antigo Gl\u00f3ria) estava fechado h\u00e1 mais de 20 anos. O Instituto do Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico e Art\u00edstico Nacional (Iphan) acabou comprando o pr\u00e9dio, com a inten\u00e7\u00e3o de incorpor\u00e1-lo \u00e0 universidade.<\/p>\n<div id=\"attachment_6347\" style=\"width: 650px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-6347\" class=\"size-full wp-image-6347\" src=\"https:\/\/faustojunior.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/muito_cine-theatro-cachoeirano.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"329\" srcset=\"https:\/\/faustojunior.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/muito_cine-theatro-cachoeirano.jpg 640w, https:\/\/faustojunior.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/muito_cine-theatro-cachoeirano-300x154.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><p id=\"caption-attachment-6347\" class=\"wp-caption-text\">Cine-Theatro Cachoeirano, de 1922, reinaugurado em 2014<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A previs\u00e3o era que o equipamento fosse reinaugurado em 2011, mas as obras s\u00f3 foram finalizadas em 2014. A administra\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o ficou a cargo da prefeitura, que tem uma parceria informal com a UFRB, como explica o cachoeirano Samir Suzart.<\/p>\n<p>O primeiro filme que Samir viu na vida foi ali naquele cinema, quando tinha\u00a06 anos. Foi acompanhado da irm\u00e3 assistir aos Trapalh\u00f5es.\u00a0 Enquanto crescia, o pr\u00e9dio ia se acabando. Foi, ele mesmo, estudar cinema na UFRB e, agora, j\u00e1 formado, administra o lugar, com capacidade para 180 pessoas. Por ali exibem-se filmes, claro, mas tamb\u00e9m shows e pe\u00e7as de teatro.<\/p>\n<p>At\u00e9 o final do ano, n\u00e3o h\u00e1 mais vagas\u00a0 aos fins de semana.\u00a0 Vez e outra, quando na tela grande est\u00e3o estrelando moradores da cidade, faz fila na porta do cinema.<\/p>\n<p>A poucos passos dali, dezenas de c\u00e2meras mostram-se aos passantes, abrigadas no Museu do Cinema.\u00a0 O rico acervo foi reunido por Roque Ara\u00fajo nos 60 anos em que trabalhou como assistente de c\u00e2mera e diretor de fotografia. Entre milhares de equipamentos, rolos de filme e cartazes, h\u00e1 um papel colado na parede do quintal. \u00c9 uma lista de filmes feitos em Cachoeira, escrita com hidrocor:\u00a0\u00a0<em>Montanha dos Sete Ecos, O Milagre dos P\u00e1ssaros, Tenda dos Milagres, Jubiab\u00e1, Pau Brasil, O M\u00e1gico e o Delegado, Ia\u00f4, Boa Morte, Massap\u00e9, Caf\u00e9 com Canela<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-6345\" src=\"https:\/\/faustojunior.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/muito_ufrb_museu-cinema.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"432\" srcset=\"https:\/\/faustojunior.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/muito_ufrb_museu-cinema.jpg 640w, https:\/\/faustojunior.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/muito_ufrb_museu-cinema-300x203.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/p>\n<p>O cinema tamb\u00e9m se espalha pela cidade em exibi\u00e7\u00f5es ao ar livre nas pra\u00e7as, promovidas pelo Cineclube M\u00e1rio Gusm\u00e3o e pelo Festival Cachoeira.Doc, criados h\u00e1 10 anos por professoras da UFRB. O cineclube, que homenageia o ic\u00f4nico ator cachoeirano, \u00e9 voltado ao cinema brasileiro e \u00e0 cr\u00edtica cinematogr\u00e1fica e o festival investe em document\u00e1rios. Este ano, por falta de recursos, n\u00e3o aconteceu a 9\u00aa edi\u00e7\u00e3o do evento.<\/p>\n<p><strong>Outro olhar, outra Bahia<\/strong><\/p>\n<p>Para Rafael Carvalho, doutor em comunica\u00e7\u00e3o e cultura e cr\u00edtico de cinema de A TARDE, o curso de cinema de Cachoeira tem gerado uma produ\u00e7\u00e3o desvinculada do \u201cpadr\u00e3o est\u00e9tico da capital\u201d.\u00a0 \u201cUm filme como\u00a0<em>Caf\u00e9 com Canela\u00a0<\/em>coloca o Rec\u00f4ncavo baiano no mapa cinematogr\u00e1fico brasileiro e as pessoas passam a se referir a essa nova geografia que n\u00e3o passa pelos cart\u00f5es-postais que estamos acostumados a ver na tela referentes \u00e0 Bahia\u201d.<\/p>\n<p>Ele lembra que no ano passado, quando o Festival de Bras\u00edlia criou a mostra universit\u00e1ria, cinco dos 20 curtas selecionados eram baianos, e quatro tinham sido produzidos por alunos de Cachoeira.\u00a0<em>O Arco do Medo<\/em>, de Juan Rodrigues, venceu como melhor filme, e Camila ganhou o pr\u00eamio de melhor dire\u00e7\u00e3o.\u00a0 Este ano, foram tr\u00eas curtas baianos selecionados, dois de Cachoeira (<em>Sair do Arm\u00e1rio<\/em>, de Marina Pontes, e\u00a0<em>M\u00e3e?<\/em>, de Ant\u00f4nio Victor).<\/p>\n<p>Entre fic\u00e7\u00f5es, document\u00e1rios e filmes experimentais feitos por alunos e ex-alunos da UFRB, ele destaca\u00a0 particularidades, especialmente a \u201ctend\u00eancia para se discutir tem\u00e1ticas de g\u00eanero e ra\u00e7a\u201d. \u201cDentro de uma universidade em que a grande maioria dos alunos s\u00e3o negros, \u00e9 evidente que a produ\u00e7\u00e3o sa\u00edda de l\u00e1 vai colocar em quest\u00e3o\u00a0 as inquieta\u00e7\u00f5es de um grupo social historicamente afastado da produ\u00e7\u00e3o de imagens enquanto sujeitos e donos de suas pr\u00f3prias narrativas. \u00c9 uma produ\u00e7\u00e3o que cria a possibilidade de descolonizar o pr\u00f3prio cinema, diversificar sua linguagem e oferecer ao p\u00fablico um novo olhar sobre o mundo\u201d.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/faustojunior.com\/blog\/cafe-com-canela-nas-telas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Veja a mat\u00e9ria sobre o filme Caf\u00e9 com Canela:\u00a0<strong>Caf\u00e9 com Canela nas telas<\/strong><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><div class='cow_johnson' style='padding:15px;margin-bottom:15px;float:left;margin-right:15px;width:640px;color:#666666!important;font-family:\"Segoe UI\";font-size:14px!important;line-height:16px!important;background:#FFFFFF;'>Leia tamb\u00e9m:\u00a0<!-- relpost-thumb-wrapper --><div class=\"relpost-thumb-wrapper\"><!-- filter-class --><div class=\"relpost-thumb-container\"><style>.relpost-block-single-image, .relpost-post-image { margin-bottom: 10px; }<\/style><h2>Leia tamb\u00e9m:<\/h2><div style=\"clear: both\"><\/div><div style=\"clear: both\"><\/div><!-- relpost-block-container --><div class=\"relpost-block-container relpost-block-column-layout\" style=\"--relposth-columns: 3;--relposth-columns_t: 2; --relposth-columns_m: 2\"><a href=\"https:\/\/faustojunior.com\/blog\/hub-bahia-visual\/\"class=\"relpost-block-single\" ><div class=\"relpost-custom-block-single\"><div class=\"relpost-block-single-image rpt-lazyload\" aria-hidden=\"true\" role=\"img\" data-bg=\"https:\/\/faustojunior.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/hub-bahia-visual-155x96.jpg\" style=\"background: transparent no-repeat scroll 0% 0%; width: 155px; height: 96px; aspect-ratio: 1\/1;\"><\/div><div class=\"relpost-block-single-text\"  style=\"height: 32px;font-family: Arial;  font-size: 12px;  color: #333333;\"><h2 class=\"relpost_card_title\">Hub Bahia Visual<\/h2><\/div><\/div><\/a><a href=\"https:\/\/faustojunior.com\/blog\/panorama-2016\/\"class=\"relpost-block-single\" ><div class=\"relpost-custom-block-single\"><div class=\"relpost-block-single-image rpt-lazyload\" aria-hidden=\"true\" role=\"img\" data-bg=\"https:\/\/faustojunior.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/panorama2016-155x96.jpg\" style=\"background: transparent no-repeat scroll 0% 0%; 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