{"id":737,"date":"2013-12-10T00:26:57","date_gmt":"2013-12-10T00:26:57","guid":{"rendered":"http:\/\/faustojunior.com\/blog\/?p=737"},"modified":"2026-05-30T19:07:46","modified_gmt":"2026-05-30T22:07:46","slug":"cinema-pernambucano-em-destaque","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/faustojunior.com\/blog\/cinema-pernambucano-em-destaque\/","title":{"rendered":"Cinema Pernambucano"},"content":{"rendered":"<h3>Escola do Recife \u00e9 refer\u00eancia do cinema brasileiro contempor\u00e2neo<\/h3>\n<h5><strong>Jornal A Tarde, Salvador, quarta &#8211; feira 4 \/ 12 \/ 2013 \u00a0Caderno 2<\/strong><\/h5>\n<h5>por <strong>Raul Moreira<\/strong><br \/>\nJornalista e cineasta<\/h5>\n<h5 style=\"text-align: justify;\"><\/h5>\n<h5 style=\"text-align: justify;\">Diante da sucess\u00e3o de produ\u00e7\u00f5es e, principalmente, de seu vigor e qualidade, inclusive reconhecida internacionalmente, como \u00e9 o caso de <em>O Som ao Redor<\/em>, entre outros, talvez n\u00e3o seja exagero afirmar que Pernambuco, ou melhor, a Escola do Recife, tornou-se refer\u00eancia da s\u00e9tima arte brasileira, como o \u00e9 o Cinema Novo.<\/h5>\n<h5 style=\"text-align: justify;\">No entanto, apesar de certa forma incorporar tem\u00e1ticas que foram caras ao Cinema Novo, a Escola do Recife diferencia-se dos filmes de Glauber Rocha e de seus pares. Isso porque, por conta dos tempos, que s\u00e3o outros, n\u00e3o h\u00e1 necessariamente na sua pr\u00e1xis a busca de um \u201ccinema revolucion\u00e1rio\u201d, militante, mas \u00e9 imposs\u00edvel negar o sentido de urg\u00eancia e o flerte com a historicidade presentes no movimento.<\/h5>\n<h5 style=\"text-align: justify;\">E, o que pode parecer reducionista, aprisionante ou simplesmente regionalista na Escola do Recife, pelo fato de ela\u00a0abarcar quase t\u00e3o somente o mundo pernambucano, acaba ganhando um sentido inverso. Resumindo: a forma atrav\u00e9s da\u00a0qual desenvolveu-se, incluindo os seus processos est\u00e9ticos, muitas vezes audaciosos, garante-lhe um estilo particular e que a separa de um outro cinema brasileiro contempor\u00e2neo.<\/h5>\n<div id=\"attachment_741\" style=\"width: 810px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-741\" class=\"size-full wp-image-741\" src=\"https:\/\/faustojunior.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/pe_tatuagem_hiton_lacerda.jpg\" alt=\"Tatuagem, de Hilton Lacerda, comprova a boa fase do cinema de Pernambuco\" width=\"800\" height=\"418\" srcset=\"https:\/\/faustojunior.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/pe_tatuagem_hiton_lacerda.jpg 800w, https:\/\/faustojunior.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/pe_tatuagem_hiton_lacerda-300x156.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><p id=\"caption-attachment-741\" class=\"wp-caption-text\">Tatuagem, de Hilton\u00a0Lacerda, comprova a\u00a0boa fase do cinema\u00a0de Pernambuco<\/p><\/div>\n<h5 style=\"text-align: justify;\"><\/h5>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h5 style=\"text-align: justify;\"><strong>Precedentes<\/strong><br \/>\nDiante de tal constata\u00e7\u00e3o, fica a pergunta: quais foram as condi\u00e7\u00f5es a partir das quais os cineastas pernambucanos elevaram-se a tal patamar? Vale dizer que, como registro, o soci\u00f3logo Gilberto Freyre afirmou, em Sobrados e Mucambos, que nas primeiras d\u00e9cadas do s\u00e9culo passado o Recife flertava mais com a Europa do que propriamente com\u00a0a ent\u00e3o provinciana S\u00e3o Paulo e o \u201cafrancesado\u201d Rio de Janeiro.<\/h5>\n<h5 style=\"text-align: justify;\">Sim, o Recife, com a sua forte influ\u00eancia judaica e abrigando a famosa Escola de Direito, ostentou no s\u00e9culo passado dois ciclos representativos de cinema (d\u00e9cadas\u00a0de 20 e 70), movimentos liter\u00e1rios, teatrais, de artes pl\u00e1sticas, enfim, havia efervesc\u00eancia cultural e cosmopolitismo naquela que era considerada a capital do Nordeste.<\/h5>\n<h5 style=\"text-align: justify;\">Depois, a partir da segunda metade do s\u00e9culo 20, o Recife tornou-se celeiro de uma forte cultura pol\u00edtica de esquerda, influenciada pelo Partido Comunista. N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que as suas Ligas Camponesas se fizeram famosas, como tamb\u00e9m personagens do calibre de Miguel Arraes e de Dom H\u00e9lder C\u00e2mera, dois inimigos da ditadura militar. Para completar, a partir dos anos 90 do s\u00e9culo passado aconteceu um processo de reabilita\u00e7\u00e3o das culturas populares: na terra do frevo, as tradicionais festas dos maracatus, dos caboclinhos, dos cocos de roda, das cirandas, obra dos povos subjugados, saem do Pernambuco profundo e, sem pasteuriza\u00e7\u00e3o, ganham a cena, ao mesmo tempo em que explode o movimento manguebeat, liderado pelo saudoso\u00a0Chico Science.<\/h5>\n<h5 style=\"text-align: justify;\">Foi embebido em tal caldo substancioso que moldou-se o am\u00e1lgama da Escola do Recife. E essa gera\u00e7\u00e3o, a primeira, n\u00e3o\u00a0\u00e9 egressa do Super-8, como aconteceu com o time de longas metragistas que afirmou-se na \u00faltima d\u00e9cada em Salvador:\u00a0era, sim, gente que trabalhava com suportes de v\u00eddeo. Dois deles, Paulo Caldas e L\u00edrio Ferreira, ali\u00e1s, assinam a dire\u00e7\u00e3o de <em>Baile Perfumado<\/em>, de 1996, que p\u00f5e fim a um per\u00edodo de seca de mais de 20 anos sem se produzir longas em Pernambuco. Mais: ao lado de <em>Carlota Joaquina<\/em>, de Carla Camuratti, o filme marca a retomada do cinema brasileiro,<br \/>\nap\u00f3s o fim da Embrafilme.<\/h5>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h5 style=\"text-align: justify;\"><strong>Efervesc\u00eancia<\/strong><br \/>\nDa\u00ed em diante, como em um movimento cinest\u00e9sico, o que n\u00e3o havia passa a existir, o que era fr\u00e1gil se fortalece: por conta do apoio dos governos locais, atrav\u00e9s de editais regulares, a engrenagem se deu em toda a cadeia produtiva, criando uma atmosfera que uniu vontade de fazer, criatividade no limite da anarquia e profissionalismo, sem falar das escolas de forma\u00e7\u00e3o. E o resultado \u00e9 que o cinema pernambucano, como um rolo compressor, continua a mostrar a sua cara, com curtas e longas que arrematam pr\u00eamios em festivais nacionais e internacionais.<\/h5>\n<h5 style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o necessariamente em ordem cronol\u00f3gica, t\u00edtulos como <em>Amarelo Manga, Baixio das Bestas<\/em> e <em>A Febre do Rato<\/em>, de Cl\u00e1udio\u00a0Assis, <em>Cinema, Aspirinas e Urubus<\/em>, de Marcelo Gomes, e o ousado <em>Tatuagem<\/em>, de Hilton Lacerda, em cartaz, s\u00f3 para citar\u00a0alguns, s\u00e3o exemplos da excel\u00eancia da Escola do Recife. Para coroar de \u00eaxito o vigor e o talento da Escola do Recife, o premiad\u00edssimo e indicado do Brasil ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, <em>O Som ao Redor<\/em>, de Kl\u00e9ber Mendon\u00e7a Filho, com sua simplicidade e s\u00edntese desconcertantes, estabelece uma nova refer\u00eancia de universalidade: como raramente aconteceu em sua cinematografia, um filme brasileiro volta a ser objeto de discuss\u00e3o e culto no exterior.<\/h5>\n<h5><a title=\"Cinema Pernambucano\" href=\"http:\/\/faustojunior.com\/arquivos\/cinema_pernambucano.pdf\" target=\"_blank\">Veja a mat\u00e9ria em formato PDF<\/a><\/h5>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div class='cow_johnson' style='padding:15px;margin-bottom:15px;float:left;margin-right:15px;width:640px;color:#666666!important;font-family:\"Segoe UI\";font-size:14px!important;line-height:16px!important;background:#FFFFFF;'><\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong>\u00a0<!-- relpost-thumb-wrapper --><div class=\"relpost-thumb-wrapper\"><!-- filter-class --><div class=\"relpost-thumb-container\"><style>.relpost-block-single-image, .relpost-post-image { margin-bottom: 10px; }<\/style><h2>Leia tamb\u00e9m:<\/h2><div style=\"clear: both\"><\/div><div style=\"clear: both\"><\/div><!-- relpost-block-container --><div class=\"relpost-block-container relpost-block-column-layout\" style=\"--relposth-columns: 3;--relposth-columns_t: 2; --relposth-columns_m: 2\"><a href=\"https:\/\/faustojunior.com\/blog\/festival-cinefoot-na-bahia\/\"class=\"relpost-block-single\" ><div class=\"relpost-custom-block-single\"><div class=\"relpost-block-single-image rpt-lazyload\" aria-hidden=\"true\" role=\"img\" data-bg=\"https:\/\/faustojunior.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/cinefoot2014-capa-155x96.jpg\" style=\"background: transparent no-repeat scroll 0% 0%; width: 155px; height: 96px; aspect-ratio: 1\/1;\"><\/div><div class=\"relpost-block-single-text\"  style=\"height: 32px;font-family: Arial;  font-size: 12px;  color: #333333;\"><h2 class=\"relpost_card_title\">Festival CineFoot na Bahia<\/h2><\/div><\/div><\/a><a href=\"https:\/\/faustojunior.com\/blog\/cineclube-walter-da-silveira\/\"class=\"relpost-block-single\" ><div class=\"relpost-custom-block-single\"><div class=\"relpost-block-single-image rpt-lazyload\" aria-hidden=\"true\" role=\"img\" data-bg=\"https:\/\/faustojunior.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/cineclube-walter-da-silveira-155x96.gif\" style=\"background: transparent no-repeat scroll 0% 0%; 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